Quase dois anos após a queda de um avião da Voepass que resultou na morte de 62 pessoas, a Polícia Federal indiciou, nesta quinta-feira (6), 16 indivíduos pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo. O acidente ocorreu em agosto de 2024, durante um voo que se dirigia a São Paulo.
### Relatório da Polícia Federal
A apresentação do relatório final do inquérito policial foi feita em coletiva de imprensa. Segundo informações publicadas pela CNN Brasil, o relatório revelou que a companhia aérea tinha o hábito de substituir peças defeituosas por outras que já apresentavam falhas conhecidas. Durante a coletiva, Carlos Eduardo Palhares, diretor do Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal, destacou que problemas anteriores no sistema de degelo da aeronave já haviam sido registrados.
“Os pilotos sabiam que aquele componente estava falho. Deveriam ter notificado a equipe de manutenção sobre o problema, mas isso não ocorreu. Existia conhecimento sobre a condição da aeronave que deveria ter impedido o voo. Essa soma de violações culminou na queda do avião”, afirmou Palhares.
### Contexto do Acidente
A queda do avião aconteceu em 9 de agosto de 2024, poucos minutos antes do pouso. A aeronave ATR 72-500 fazia o voo 2283 entre Cascavel, Paraná, e Guarulhos, São Paulo. Durante a aproximação a São Paulo, a aeronave perdeu sustentação e caiu em um condomínio residencial em Vinhedo, interior paulista, resultando na morte de todas as 62 pessoas a bordo, incluindo 58 passageiros e quatro tripulantes. Este acidente foi considerado o mais grave da aviação comercial brasileira desde 2007.
### Conclusões da Investigação do Cenipa
O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) indicou que o acidente foi consequência de múltiplas falhas, envolvendo a empresa, a tripulação e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A aeronave não deveria ter decolado nas condições em que foi liberada, particularmente por operar com o sistema de proteção contra acúmulo de gelo inoperante.
De acordo com o tenente-coronel Paulo Mendes Fróes, que fez parte da equipe de investigação, falhas em três voos anteriores não foram registradas adequadamente nos diários de bordo, contrariando a legislação. O relatório aponta ainda uma forte culture organizacional que desconsiderava registros formais e supervisionava inadequadamente os serviços mecânicos.
### Falhas na Supervisão da Anac
A Anac também foi considerada responsável pela supervisão deficiente. Embora efetuasse fiscalizações antes do acidente, o relatório sugere que houve oportunidades de melhorias na vigilância da segurança operacional, com mudanças que só foram implementadas após a tragédia.
O Cenipa analisou mais de mil voos nos meses que antecederam o acidente, e o relatório final consolidou as conclusões da investigação técnica da Força Aérea Brasileira, seguindo protocolos internacionais.
### Análise da Anac
Em nota enviada à CNN Brasil, a Anac anunciou que iniciará uma análise técnica detalhada das conclusões e recomendações apresentadas. A agência enfatizou que as investigações do Cenipa visam a prevenção, sem atribuição de culpa, e têm o objetivo de identificar fatores que contribuíram para o acidente e melhorar a segurança operacional na aviação civil.
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