Pelo menos mil animais foram resgatados no primeiro trimestre de 2026 em investigações conduzidas pela Polícia Civil de São Paulo relacionadas ao zoosadismo. Esse fenômeno envolve a transmissão de violência contra animais em plataformas digitais, com destaque para o Discord.
Conforme informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, a corporação trata o aumento de ocorrências como indicativo da ascensão de grupos organizados que disseminam práticas violentas entre adolescentes e jovens na internet.
A delegada Lisandréa Salvariego, chefe do Noad (Núcleo de Observação e Análise Digital), ressaltou que o zoosadismo pode levar a crimes ainda mais graves, como estupro virtual e incentivo à automutilação. A prática serve como uma entrada para normalizar conteúdos extremos e testar limites entre os jovens.
O Discord, plataforma citada nas investigações, declarou que implementa “políticas rigorosas que proíbem o abuso de animais e conteúdos prejudiciais” e investe em tecnologias de segurança para promover um ambiente digital mais seguro no Brasil.
Embora a plataforma tenha comprometido a mantê-la livre de abusos, a polícia aponta que a organização de transmissões ao vivo e a disseminação de vídeos de maus-tratos estão ocorrendo em servidores privados.
De acordo com a delegada, a maioria dos resgates envolve gatos, com 90% dos casos monitorados pelo Noad. Filhotes são os alvos preferidos por sua vulnerabilidade e facilidade de manipulação durante as transmissões.
Dados obtidos pela Folha de S.Paulo revelam que houve um aumento significativo nos registros de maus-tratos envolvendo gatos, com 340 ocorrências em 2025, um número que pode continuar a crescer.
A Polícia Civil monitora entre 10 e 15 casos de maus-tratos a animais durante a madrugada. A delegada explicou que, em casos onde os próprios jovens tentam agredir seus animais, a polícia orienta as famílias e, se necessário, atua para proteger os animais.
Um caso emblemático envolveu uma adolescente em Fortaleza que planejava matar seu gato em um evento na internet. A situação foi contornada com a colaboração entre as polícias de São Paulo e do Ceará, resultando na salvação do animal.
Os desafios enfrentados na moderação do Discord foram destacados em um relatório entregue ao Ministério Público de São Paulo. Documentos indicam que a plataforma enfrenta problemas de lentidão na exclusão de servidores e dificuldades em interromper ações ilegais em tempo real.
Os envolvidos nas práticas de zoosadismo podem ser processados pela Lei de Crimes Ambientais, que prevê penas de reclusão de 2 a 5 anos e multa, além da proibição de posse do animal, com agravos em caso de morte do animal.
O Ministério Público não respondeu até o fechamento deste artigo sobre seu acompanhamento nas investigações relacionadas às práticas de zoosadismo online.
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