A investigação da Polícia Federal (PF) que resultou no indiciamento do presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (União), revelou não apenas suas ligações com o Comando Vermelho (CV), mas também seu controle significativo nas decisões do governo fluminense. De acordo com informações publicadas pelo O Globo, a investigação desvelou uma tabela encontrada no computador do ex-chefe de gabinete de Bacellar, Rui Bulhões, indicando a distribuição de cargos na Alerj e em diversas autarquias estaduais, incluindo a Fundação Leão XIII e o Ceperj.
O relatório da PF cita que, sob a administração de Bacellar, a Alerj ampliou sua influência nas decisões políticas, basicamente ocupando espaços que deveriam ser prerrogativas do governador do estado. Essa análise é respaldada por um contexto histórico de fragilidade política do governador Cláudio Castro, que sempre esteve sob a sombra de escândalos diversos.
A planilha datada de abril de 2023 destaca como Bacellar, após sua primeira eleição à presidência da Alerj, assegurou a destinação de vários cargos a deputados, com ênfase em Rodrigo Amorim (União), atual líder do governo. Amorim, que já possuía 20 cargos na Alerj, buscava ampliar sua influência em órgãos como o Detran e a Operação Lei Seca.
O Ceperj, um dos órgãos mencionados na planilha, enfrentou sérias investigações devido a irregularidades, incluindo a suspeita de pagamento de mais de R$ 200 milhões a funcionários fantasmas, usados como cabos eleitorais nas eleições de 2022. Os desdobramentos dessa situação podem culminar em um processo que pode levar à cassação de Bacellar e Castro, atualmente em análise no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Vale lembrar que a Fundação Leão XIII, também sob investigação, é responsável por diversos projetos sociais e possui um histórico problemático em relação ao uso indevido de recursos públicos, embora investigações anteriores tenham sido arquivadas.
Procurado para comentar as acusações, Rodrigo Amorim declarou que sua participação em atividades do governo é parte de seu papel como líder. Ele defendeu que as indicações políticas são normais e que não há ilegalidade em sua conduta. O presidente em exercício da Alerj, Guilherme Delaroli, e o secretário Douglas Ruas também se pronunciaram, alegando que as solicitações de cargos estavam ligadas a melhorias nos serviços em suas regiões eleitorais.
A defesa de Bacellar rebateu as acusações, destacando que não existem provas concretas de sua participação em atividades ilícitas, classificando o indiciamento como “descabido”.
O caso envolvendo Rodrigo Bacellar expõe a complexidade das relações políticas no Rio de Janeiro, em um cenário marcado por escândalos e investigações que podem ter impactos significativos nas estruturas de poder do estado. A PF continua suas investigações, enquanto as repercussões políticas se seguem.
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