Segundo informações publicadas pelo Hora Campinas, pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), localizado em Campinas, desenvolveram um microssensor inovador que pode revolucionar o monitoramento de doenças. A tecnologia, que promete realizar exames complexos de maneira rápida e acessível, detecta sinais de enfermidades no organismo com grande sensibilidade.
A pesquisa foca em identificar microRNAs, moléculas que atuam como indicadores precoces de condições graves, incluindo câncer e doenças neurológicas. Esse avanço é respaldado pela conquista do Prêmio Nobel de Medicina em 2024 pelos biólogos Victor Ambros e Gary Ruvkun, que estudaram essas pequenas moléculas.
Os cientistas do CNPEM combinaram o grafeno, um material leve e altamente condutor, com sondas de DNA, que atuam como receptores para capturar as moléculas associadas a doenças.
Chips eletrônicos foram projetados para funcionar como transistores que alertam quando as sondas detectam a presença dos microRNAs. A Inteligência Artificial desempenha um papel crucial, atuando como um analisador que interpreta as respostas do dispositivo.
A sensibilidade do microssensor é de tal magnitude que permite a identificação de moléculas em concentrações extremamente baixas, comparável a localizar uma única gota de água em várias piscinas olímpicas. Em testes de laboratório, o dispositivo já demonstrou a capacidade de diferenciar três microRNAs distintos com rapidez e precisão.
Os testes realizados fornecem uma prova concreta da viabilidade da tecnologia. Embora ainda sejam necessárias várias etapas, como validação clínica e aprovação regulatória, o trabalho desenvolvido poderá abrir portas para parcerias comerciais e pedidos de patente.
A identificação de microRNAs é desafiadora devido à semelhança entre muitas dessas moléculas. A aplicação da IA no processo de análise tem mostrado resultados promissores. Durante os testes, o dispositivo conseguiu discriminar entre três moléculas quase idênticas em amostras de urina artificial.
Atualmente, a realização de exames tradicionais de DNA e RNA, como o RT-PCR, exige deslocamento até laboratórios especializados e longas esperas por resultados, muitas vezes dependentes de equipamentos caros e volumosos.
O microssensor do CNPEM viabiliza a possibilidade de criação de testes portáteis, que poderiam ser utilizados no consultório do médico ou até mesmo no conforto do lar do paciente, permitindo diagnósticos rápidos, em questão de minutos. A tecnologia tem potencial para detectar vários tipos de câncer, como os de estômago, colorretal, mama e próstata, além de condições como doenças cardiovasculares, neurológicas, artrite reumatoide e diabetes, todas reconhecidas por biomarcadores de microRNA.
O microssensor foi desenvolvido nas instalações de micro e nanofabricação do CNPEM, utilizando processos típicos da indústria eletrônica. A pesquisa é parte do Centro de Pesquisa em Engenharia Molecular para Materiais Avançados (CEPID-CEMol), com financiamento da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Os resultados da pesquisa recente foram publicados na revista Small, destacando um avanço significativo nas tecnologias de detecção molecular.
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