O Partido Liberal (PL) decidiu se reposicionar politicamente, passando a adotar uma postura contrária à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa extinguir a escala trabalhista 6×1. Essa mudança representa uma nova estratégia da sigla, que busca intensificar críticas à principal proposta eleitoral do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) às vésperas das eleições de outubro.
Segundo informações publicadas pela CNN Brasil, nesse contexto, parlamentares do PL, incluindo o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), estavam até então distantes do tema, pois uma análise interna mostrava que eleitores de direita não consideravam essa questão como prioridade.
Entretanto, diante da crise gerada pela relação controversa entre Flávio e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, a discussão sobre a PEC ganhou novo impulso. Essa estratégia tem o intuito de desviar a atenção do escândalo e oferecer ao eleitorado uma proposta que possa ressoar positivamente.
Em um movimento inicial, Flávio divulgou na terça-feira (19) uma nota crítica à proposta defendida pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), que é apoiada por integrantes do governo.
Posteriormente, em discurso durante a XXVII Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, organizada pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), Flávio enfatizou sua oposição ao fim da escala 6×1. “O Brasil se atualizou; o mundo que vivemos não é mais o de 1943, época da CLT. Todos nós queremos trabalhar menos e ganhar mais, mas essa legislação está desatualizada e pode impactar os municípios em R$ 50 bilhões por ano se aprovada”, afirmou no início de sua fala.
Flávio sugere alternativas à proposta de escala 5×2 defendida por Lula, incluindo a manutenção da escala 6×1, o pagamento por horas trabalhadas e uma jornada mais flexível. De acordo com a assessoria de Flávio, essas opções têm suporte semelhante ao de quem ainda vê a 5×2 como a melhor proposta.
Aliados de Flávio acreditam que o governo se impôs na discussão sem uma oposição significativa dentro do Congresso, considerando que o embate pode ser benéfico para as pré-campanhas do PL, pois permitirá que seus parlamentares se posicionem em uma matéria que desperta grande interesse popular neste primeiro semestre.
Contudo, há a expectativa de que a oposição aborde o assunto de forma tardia, o que pode não ter um grande impacto na análise da PEC na Câmara. A bancada do PL no Senado, entretanto, já está se preparando para uma atuação mais contundente assim que o texto for analisado naquele espaço.
Atualmente, a PEC do fim da escala 6×1 está em avaliação numa comissão especial da Câmara, e o relator Léo Prates (Republicanos-BA) informou que a apresentação do relatório e sua votação foram adiadas. A expectativa é que o parecer seja divulgado na próxima semana, mas a votação segue agendada.
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