São Paulo consolidou sua liderança no agronegócio nacional com o reconhecimento de 12 Indicações Geográficas (IGs), sendo que nove delas estão diretamente ligadas à agropecuária. A mais recente adição é a IG do palmito pupunha do Vale do Ribeira, que destaca a importância contínua dessa região, já reconhecida por sua cadeia produtiva desenvolvida.
A área certificada abrange 22 municípios, o que posiciona São Paulo entre os principais centros de produção do palmito no Brasil. Este reconhecimento é atribuído ao trabalho da Associação dos Produtores de Pupunha do Vale do Ribeira (Apuvale), que abrange aproximadamente 1.800 famílias produtoras e 70 agroindústrias que atuam no estado.
Claudio de Andrade e Silva, ex-presidente e atual diretor de marketing da Apuvale, afirmou que a certificação representa um marco para o desenvolvimento regional. “É a única indicação de procedência de palmito no mundo e resultado de um esforço de longo prazo”, destacou, mencionando também a transição do extrativismo da juçara para um cultivo sustentável de pneumonias.
A IG abrange tanto o palmito in natura quanto a versão processada. Com a certificação, o produto pode ser vendido em vários formatos, como tolete, rodelas, estirpe, picado, bandas e espaguete, desde que respeitadas as normas legais vigentes.
Jefferson Souza, produtor em Jacupiranga, enfatiza que a certificação aumenta a confiança do mercado e cria novas oportunidades comerciais. Ele aponta que a IG fortalece a cadeia produtiva e agrega valor ao produto regional. Jefferson iniciou sua produção em 2020, após mudanças em sua trajetória profissional durante a pandemia, e agora foca na agricultura familiar voltada ao palmito in natura, ressaltando o potencial desse alimento, que é de baixo carboidrato e rico em fibras e minerais.
O palmito é extraído do interior da haste de palmeiras como pupunha, juçara e palmeira-real. No estado, o Vale do Ribeira representa cerca de 80% da produção, ocupando aproximadamente 7 mil hectares cultivados.
Segundo o engenheiro agrônomo da CATI, Rogério Sakai, a região apresenta condições ideais para essa cultura, com predominância de terras altas, relevo levemente ondulado e boa distribuição de chuvas ao longo do ano, o que diminui a necessidade de irrigação.
Sakai também observou que a proibição da exploração da juçara incentivou a adoção do cultivo de pupunha, que se adapta bem a métodos agrícolas e reduz impactos ambientais.
O cultivo da pupunheira em São Paulo teve início em 1940 com a introdução das primeiras sementes pelo Instituto Agronômico (IAC). Na década de 1970, a cultura começou a ser explorada comercialmente, e os anos 1980 foram marcados por estudos que apontaram o Vale do Ribeira como uma área ideal para o cultivo.
Atualmente, o IAC desenvolve programas de melhoramento genético com o objetivo de aumentar a produtividade e a qualidade do palmito. A instituição mantém uma coleção de mais de 400 espécies de palmeiras, nativas e exóticas, que apresentam potencial ornamental e produtivo, ampliando as perspectivas para a cadeia do palmito paulista.
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