O aumento da proximidade entre onças-pintadas e áreas urbanas no Pantanal tem gerado apreensão entre os moradores locais, que veem o maior felino das Américas cada vez mais próximo de suas residências. Segundo informações publicadas pelo Jornal Midiamax, especialistas analisam as razões por trás desse fenômeno.
Recentemente, um caso em Corumbá chamou a atenção: uma onça-pintada foi avistada rondando uma casa por mais de um ano. O felino atacou e matou uma cadela e, em outro momento, foi flagrado pegando galinhas. A captura do animal está prevista, com exames e posterior devolução ao seu habitat natural em uma área segura.
O especialista Diego Viana, da organização Jaguarte, ressalta que a aproximação das onças está intimamente ligada à degradação de seu habitat, causada por queimadas, que reduzem suas áreas de caça natural, além da presença de animais domésticos, como cães e galinhas, que se tornam presas fáceis. A falta de educação ambiental na região também é um fator que contribui para esse aumento de conflitos.
A atração da onça-pintada por determinados locais não deve ser vista como um ato de “vingança” humana, como sugerem algumas falas nas redes sociais. Comportamentos que podem parecer vingativos, na verdade, refletem a busca do animal por alimento em seu território natural. “A humanização do comportamento animal não faz parte das decisões das onças; elas agem por instintos de sobrevivência”, explica Viana.
Os incêndios no Pantanal têm se tornado um problema crescente. Em 2020, cerca de 39,7 mil km² foram afetados, enquanto em 2024, o número foi de 27,1 mil km². Essas queimadas alteram o meio ambiente e provocam o deslocamento dos felinos, que buscam novos territórios para sobreviver. “Incêndios de grande escala afetam a disponibilidade de presas e abrigo”, analisa Diego Viana.
Embora não haja evidências concretas de que a cadeia alimentar esteja desequilibrada, as queimadas eliminam presas que sustentam a fauna local. “Os incêndios de 2020 destruíram grandes áreas e mataram milhões de animais”, alerta Viana. Contudo, ele menciona que as câmaras-trap têm registrado a presença de espécies que ainda compõem a dieta das onças.
As onças, ao se depararem com a escassez de alimento natural, podem optar por se aproximar de áreas urbanas, onde avistam cães e outros animais domésticos como fontes de alimento de baixo risco. O comportamento é compreendido como uma sobreposição de territórios. “Cães são presas fáceis e representam um risco menor para as onças”, conclui Gustavo Figueiroa, da ONG SOS Pantanal.
A solução para essa problemática passa por medidas de conscientização e adaptação do comportamento humano. Diego Viana sugere que a população mantenha animais domésticos protegidos e evite abandoná-los. “O primeiro passo é a educação para que os moradores entendam como conviver com a fauna local e minimizar conflitos”, destaca Figueiroa.
Para reduzir a atratividade das cidades para as onças, as autoridades devem implementar ações como o descarte correto de resíduos, a remoção de carcaças de animais e o controle de alimentação das espécies silvestres. Ao estimular a consciência ambiental e oferecer suporte à população local, é possível diminuir os riscos tanto para os humanos quanto para os felinos.
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