O Ministério Público Federal (MPF) ingressou com uma ação na Justiça solicitando a suspensão do abate de búfalos invasores em três reservas do oeste de Rondônia. A ação refere-se a um projeto implementado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que visa erradicar cerca de 5 mil animais dessa espécie na região.
Conforme reportado pelo BNC Amazonas, o MPF argumenta que o ICMBio não prestou as devidas informações à Justiça e falhou em consultar as comunidades indígenas, quilombolas e tradicionais localizadas nas áreas afetadas.
O ICMBio, por sua vez, defende que está atuando conforme decisões judiciais e que a primeira fase do abate, que contemplará 500 animais, é essencial para a elaboração de um plano definitivo de controle, que ainda está sendo desenvolvido.
A disputa legal gira em torno de uma Ação Civil Pública instaurada em 2025, que não apenas exige o controle da população de búfalos asiáticos na região, mas também estipula uma indenização de R$ 20 milhões para replantio e reflorestamento.
O aumento da população de búfalos asiáticos tem se tornado uma questão preocupante para o meio ambiente na Amazônia. Esses animais, que vivem sem supervisão há mais de 50 anos em áreas protegidas, como a Reserva Biológica Guaporé, não possuem predadores naturais e representam uma ameaça à fauna local. Eles causam a compactação do solo e a alteração dos cursos d’água, impactando diretamente o ecossistema.
"É um ambiente único, com várias espécies endêmicas. A presença do búfalo pode levar à extinção de várias delas", destacou Wilhan Cândido, biólogo do ICMBio.
De acordo com a instituição, a medida de abate é considerada a única alternativa viável, especialmente devido ao difícil acesso a essas áreas e a inviabilidade do uso da carne para consumo humano.
Enquanto o pedido de suspensão da ação judicial está pendente, equipes da Universidade Federal de Rondônia (Unir) estão coletando material biológico dos búfalos abatidos para conduzir pesquisas sobre métodos de erradicação que sejam mais eficazes e menos danosos ao meio ambiente.
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Foto: Divulgação
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