Lejeune Mirhan, sociólogo, professor universitário e analista internacional, faleceu na última quinta-feira (6) aos 73 anos, após complicações de saúde. Ele estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Madre Teodora, em Campinas, onde sofreu uma parada cardíaca.
Natural de Corumbá, Mato Grosso do Sul, Lejeune construiu uma carreira marcada por sua produção intelectual e ativismo político. Filiação ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e laços familiares com figuras políticas influentes, como seu tio, o promotor de Justiça José Mirrha, também desenharam sua trajetória. Formado em Ciências Sociais, foi presidente do Sindicato dos Sociólogos do Estado de São Paulo, entidade que ajudou a fundar.
Lejeune foi orientado por Florestan Fernandes e sua pesquisa de mestrado focou no movimento estudantil pós-1968. Ele também fez contribuições significativas à história da imigração suriana em Corumbá, onde sua família teve forte impacto cultural e econômico.
Aposentado da Universidade Metodista de Piracicaba, Mirhan ampliou sua atuação para a análise política tanto no Brasil quanto no exterior. Tornou-se uma figura proeminente em debates sobre geopolítica, Oriente Médio e imperialismo, participando de delegações humanitárias à Palestina e à Síria, além de iniciativas de solidariedade internacional.
Lejeune Mirhan também era um escritor prolífico, com mais de dez obras publicadas, incluindo “Atualidade da luta anti-imperialista”. Ele fundou a editora Apparte, onde publicou parte de sua produção acadêmica. Mesmo após a aposentadoria, manteve uma agenda ativa de palestras e debates, reafirmando sua conexão com a comunidade acadêmica e cultural.
Mirhan enfrentou uma série de complicações após uma cirurgia de hérnia inguinal realizada há pouco mais de um mês, incluindo uma infecção grave que culminou em sua morte. Sua trajetória é lembrada como a de um intelectual significativo da esquerda brasileira, deixando um legado de reflexão crítica e engajamento político.
Conforme reportado pelo Diário do Centro do Mundo, sua partida representa uma grande perda para os campos da sociologia e das relações internacionais, influenciando gerações que seguirão seus passos em busca de uma compreensão mais profunda das questões globais.
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