O argumento do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre não ter trocado mensagens com o banqueiro Daniel Vorcaro no dia de sua prisão contrasta com registros coletados pela Polícia Federal e análises de peritos em tecnologia. As informações foram publicadas pelo O Globo, destacando a discordância entre os dados e a declaração do ministro.
A colunista Malu Gaspar, do Globo, revelou que as mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro no dia 17 de novembro de 2025 foram enviadas por meio de imagens de visualização única do WhatsApp, que são automaticamente excluídas após serem abertas. Essas imagens estavam vinculadas a anotações salvas no celular de Vorcaro, as quais foram recuperadas pela Polícia Federal.
Em resposta às alegações, Moraes afirmou que as capturas de tela das mensagens estavam associadas a “pastas de outras pessoas”. Alega ainda que os arquivos não se referem ao diálogo entre ele e Vorcaro. De acordo com dados coletados pela PF, essa organização dos arquivos não sugere que as mensagens foram direcionadas a terceiros, mas sim que a estrutura dos arquivos se deve à lógica do software usado na extração de evidências digitais.
O material enviado à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS foi extraído usando um software chamado IPED (Indexador e Processador de Evidências Digitais), utilizado pela Polícia Federal. Essa ferramenta, disponível desde 2019 em código aberto, reorganiza as mensagens e arquivos durante a extração, segundo informação de peritos consultados pelo Globo.
Apesar de não constar o histórico completo de conversas do WhatsApp no material enviado para a CPI, as mensagens entre Vorcaro e sua ex-namorada estavam disponíveis, uma vez que Vorcaro fez backup dessa conversa antes da prisão.
Os dados extraídos e analisados mostram que os prints das mensagens foram recuperados de uma pasta no sistema iCloud de Vorcaro. As imagens, salvas como capturas comuns, foram organizadas em pastas denominadas de acordo com códigos hashes que comprovam sua integridade, mas não vinculam os conteúdos a um destinatário específico. Esses hashes garantem que nenhum arquivo foi adulterado durante a extração, como explicaram peritos que trabalham com o IPED.
Um relatório detalha que os prints referentes a mensagens enviadas a Moraes foram guardados em uma pasta genérica no sistema iCloud de Vorcaro. A inovação do IPED se reflete em sua técnica de nomenclatura e armazenamento, que utiliza algoritmos para garantir a autenticidade dos dados extraídos.
Por meio de declarações à imprensa, diversas figuras mencionadas nas mensagens, como o senador Irajá Abreu e a advogada Viviane Moraes, negaram qualquer contato com Vorcaro. É importante ressaltar que a apuração de conteúdos enviados por Vorcaro tem gerado repercussões significativas, iluminando a complexidade das investigações que envolvem promotores, políticos e autoridades.
As diferentes versões sobre os eventos em questão evidenciam a necessidade de uma análise detalhada e honesta das comunicações entre figuras públicas durante investigações relevantes e sensíveis.
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