O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, criticou os candidatos que utilizam ofensas ao Judiciário como estratégia eleitoral, em vez de apresentar propostas concretas. Em uma declaração feita nesta terça-feira, 28 de abril de 2026, Moraes direcionou suas palavras ao ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que tem focado suas críticas no STF durante sua pré-candidatura à Presidência. Moraes afirmou que, segundo ele, “candidaturas sem viabilidade eleitoral” estão usando ataques ao STF como uma “escada eleitoral”.
Durante a análise de uma queixa-crime apresentada pelo deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) contra o deputado José Nelto (União Brasil-GO), o ministro destacou que “políticos sem o respaldo necessário nas urnas acabam ofendendo o Poder Judiciário, desrespeitando a honra e a dignidade de seus membros”.
O ministro também mencionou que “pesquisas recentes” indicam que a população não está interessada em candidatos que se distanciam do debate sobre temas relevantes para se dedicar a críticas ao STF. Moraes parece referir-se à estagnação de Zema nas pesquisas, que segundo levantamento da AtlasIntel, apresentou intenções de voto variando entre 3,1% e 3,8%. Comparado a isso, líderes como Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) se encontram à frente nas intenções de voto.
A crítica de Moraes foi clara: os ataques verbais ao STF são uma forma de tentar evitar a apresentação de propostas e discussões construtivas. Em suas palavras, “esses políticos preferem evitar discutir saúde, educação e segurança pública, utilizando o Judiciário como uma escada em uma suposta polarização”.
A tensão entre o ministro do STF e Zema se intensificou após a publicação de uma série de vídeos satíricos pelo ex-governador. Moraes chegou a solicitar a inclusão de Zema no Inquérito das Fake News, alegando que suas ações desdenham tanto a honra do STF quanto a sua própria.
O vídeo em questão ironiza a decisão de Gilmar Mendes, do STF, que anulou a decisão da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que determinava a quebra dos sigilos da empresa Maridth Participações, associada ao ministro Dias Toffoli.
As críticas de Zema cresceram nos últimos dias, levando a respostas polêmicas de Gilmar Mendes, inclusive uma declaração ao portal Metrópoles que foi interpretada como homofóbica por Zema, ao questionar a representação de Zema em um dos vídeos. A Procuradoria-Geral da República (PGR) decidiu arquivar o pedido de investigação sobre a suposta conduta homofóbica de Mendes, esclarecendo que o comentário não configurava uma lesão aos direitos da população LGBTQIA+ que justificasse uma ação.
Essa situação evidencia a complexidade nas relações entre políticos e Judiciário, além da necessidade de um debate mais construtivo sobre propostas que efetivamente respondam aos anseios da sociedade.
Assista ao vídeo detalhando a situação (5min06s):
Fonte: Poder360.
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