Moradores da Vila Mariana, localizada na Zona Sul de São Paulo, estão implementando uma estratégia inovadora para combater a onda de roubos de celulares na região. Em uma iniciativa autônoma, os residentes começaram a produzir e distribuir adesivos que alertam pedestres sobre a ocorrência de furtos praticados por criminosos em bicicletas.
Os adesivos, que trazem a imagem de um furto em andamento com a frase “Cuidado, furto com bicicleta”, foram colados em pontos estratégicos e na frente de residências, como um aviso para os transeuntes sobre os riscos de assaltos.
Adesivo alertando sobre roubo de celulares.
Com o objetivo de conscientizar tanto transeuntes quanto autoridades sobre a insegurança no bairro, moradores afirmam que a ação visa aumentar a percepção de risco entre os pedestres e pressionar o poder público a intensificar a segurança.
“Na ausência do Estado, é importante ter as pessoas colaborando pelo bem-estar de todos. Acho que é um movimento que já sinaliza a importância da segurança e de se precaver de qualquer tipo de incidente.” Aleks Santos, morador da Vila Mariana
Dados da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) revelam que, ao comparar os meses de junho deste ano com 2025, houve uma redução de 8,6% nos registros de furtos na Vila Mariana, caindo de 222 para 203 ocorrências.
Embora a diminuição seja notável, um exame mais detalhado dos dados dos Boletins de Ocorrência (B.O) indica uma diminuição das ocorrências em locais como estações de metrô. Em 2025, uma em cada cinco ocorrências foi registrada nessas áreas, número que caiu para apenas uma em cada 27 neste ano.
No entanto, em 2026, dos B.Os reportados na Vila Mariana, 93% indicaram que os crimes ocorrem em via pública, um aumento de 25,4% em relação a 2025, sugerindo uma intensificação das ações criminosas nas ruas.
Assalto a mão armada na Vila Mariana.
Entre as ruas mais afetadas, a rua Domingos de Morais registrou 72 boletins, enquanto a rua Vergueiros teve 43 ocorrências. A SSP destacou que o combate aos crimes de furto e roubo de celulares é uma prioridade na capital paulista, com operações intensificadas.
No primeiro semestre deste ano, a capital viu uma queda de 6,8% nos roubos de celulares em comparação ao mesmo período de 2025, com uma redução de 12,6% nos roubos em geral e 2,3% nos furtos. Mais de 23 mil criminosos foram detidos na cidade e 1.426 armas foram apreendidas.
Uma estratégia importante dessa colaboração é o programa Vizinhança Solidária (PVS), conforme explica Fábio Cotait, presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) da região. Os grupos atuam para auxiliar na prevenção de crimes, compartilhando informações e imagens de câmeras de segurança com as polícias.
“A Vila Mariana possui câmeras que são compartilhadas entre os moradores e a polícia. Quando ocorre algum crime, podemos examinar as imagens para ajudar a PM na identificação dos criminosos”, diz Cotait. Além dele, a quantidade de câmeras na área, equivalente a mais de 120, fortalece a luta contra a criminalidade.
“É crucial registrar um B.O. após qualquer ocorrência, mesmo que eletrônico, para que a polícia esteja ciente do que está acontecendo e aja conforme necessário.” Fábio Cotait, presidente do Conseg
Cotait aconselha que as vítimas não devem reagir durante um roubo, já que isso pode aumentar o risco, considerando que os criminosos frequentemente atuam em grupo.
Grupo de criminosos na Vila Mariana.
A ação dos moradores com adesivos é respaldada pela Polícia Militar e pelo Conseg como um passo importante para alertar a população sobre os crimes. A colaboração entre as forças de segurança e a comunidade é vista como essencial para melhorar a segurança na Vila Mariana.
Mauro Sérgio, um residente da área, relatou à equipe do iG que já testemunhou tentativas de assalto perto da estação de metrô Ana Rosa. Para ele, enquanto a presença policial na região é notada, ainda é insuficiente.
“A segurança na Vila Mariana precisa de mais atenção e programas sociais que ajudem a reduzir a vulnerabilidade das pessoas. Somente assim conseguimos combater a criminalidade de forma efetiva.” Mauro Sérgio, morador da Vila Mariana
Ele também observa que muitos dos roubos têm como vítimas pessoas de outras regiões que visitam o bairro, e acredita que a divulgação dos adesivos ajuda a alertá-los sobre os riscos ao usar seus celulares.
Alex Moeckel, da empresa de segurança Alartron, comentou que a criação dos adesivos nasceu da necessidade de alertar os cidadãos sobre a crescente incidência de roubos de celulares por ciclistas. Essa é uma parte de um projeto mais amplo de segurança colaborativa, que inclui um programa de monitoramento por câmeras.
Essas câmeras têm sido fundamentais na identificação de suspeitos envolvidos em crimes, facilitando a comunicação das evidências para as autoridades locais. Com essa combinação de alertas e monitoramento por câmeras, os moradores buscam estabelecer um ambiente seguro e cooperativo para todos.
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