Golpes, ameaças e assédio moral. Esses são os desafios enfrentados por Natália Bicalho, de 23 anos, após o acidente aéreo que atingiu seu prédio no Bairro Silveira, em Belo Horizonte, na segunda-feira, 4 de maio. A repercussão de seu depoimento gerou uma onda de ataques machistas nas redes sociais.
A modelo e estudante de direito desmaiou ao chegar em casa e se deparar com os destroços do avião. Mesmo abalada, ela decidiu compartilhar sua experiência com a mídia, mas foi surpreendida por comentários degradantes sobre sua aparência física, incluindo insultos e piadas de conotação sexual.
“Começou com assédio moral e logo recebi mensagens indesejadas, incluindo fotos íntimas. Tive que restringir meu Instagram, que sempre usei profissionalmente”, disse Natália, citando que a maioria dos novos seguidores eram homens. Ela lamenta que a tragédia, que poderia ter tido consequências fatais, agora a deixou vulnerável em um ambiente de constante assédio.
Além disso, surgiram perfis falsos nas redes sociais que tentam se passar por ela, aplicando golpes e solicitando dinheiro em seu nome. “Estão dizendo que eu apenas tentei aparecer ou que estava maquiada para dar entrevista. Isso não é verdade, eu não estava nem em casa no momento do ocorrido”, explicou.
Natália relatou que procurou a Polícia Militar para formalizar uma denúncia, sendo orientada a coletar evidências dos abusos recebidos. “Falar publicamente sobre isso me trouxe medo. As pessoas me reconhecem na rua, entrei em estado de choque depois do incidente”, desabafou.
No dia 8 de maio, um avião EMB-721C, fabricado em 1979, colidiu com o prédio onde Natália reside, após enfrentar dificuldades logo após a decolagem de Belo Horizonte. O piloto, Wellinton de Oliveira Pereira, de 34 anos, e Fernando Moreira Souto, de 36, foram as duas vítimas fatais do acidente.
De acordo com a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), o piloto emitiu um alerta de emergência antes de tentar retornar ao aeroporto. O avião sobrevoou a área por aproximadamente cinco minutos antes de impactar o prédio na altura do terceiro andar, destroçando parte de sua estrutura e lançando destroços ao estacionamento de um supermercado adjacente.
No total, cinco pessoas estavam a bordo. Dois sobreviventes, Arthur Schaper Berganholi, de 25 anos, e Hemerson Cleiton Almeida Souza, de 53, foram levados para o Hospital de Pronto-Socorro João XXIII. O pai de um dos sobreviventes, Leonardo Berganholi Martins, também estava no voo e acabou falecendo no hospital.
Apesar da gravidade da situação, moradores do prédio conseguiram evacuar sem ferimentos. A posição em que o avião ficou dificultou o primeiro acesso das equipes de resgate. O combustível permaneceu em áreas seguras, evitando explosões, mas foram tomadas precauções devido ao odor forte.
A investigação do incidente segue em andamento, analisando as circunstâncias do voo e a rotina do piloto. A presença de álcool em seu corpo é uma das questões a serem exploradas, além do abastecimento correto da aeronave no aeroporto de Pampulha.
As autoridades permanecem atentas ao caso, que deixou não apenas marcas na estrutura física, mas também emocionais para os moradores do prédio e suas famílias.
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Fonte: Informação coletada de reportagens de Mariana Costa, Bruno Barros e Silvia Pires, publicada originalmente no site Estado de Minas.
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