As investigações do Ministério Público de São Paulo (MPSP) sobre corrupção dentro da Polícia Civil do estado revelaram um esquema complexo em que uma **organização criminosa utilizava tickets de alimentação, conhecidos como “VR”, para lavagem de dinheiro**. Segundo informações publicadas pela [CNN Brasil](https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sudeste/sp/corrupcao-na-policia-de-sp-criminosos-usavam-vrs-para-lavagem-de-dinheiro/), esse dinheiro, proveniente do tráfico de drogas, era empregado na compra desses cartões. Os tickets eram depois utilizados em estabelecimentos comerciais de fachada, como padarias e pequenos mercados que, por sua vez, repassavam os valores a empresas fictícias.
Os valores convertidos assim se apresentavam como créditos legítimos, reinseridos no sistema financeiro. Um dos suspeitos centrais da operação, Cléber Azevedo dos Santos, era identificado em conversas como “Cléber do ticket” e está intimamente ligado à prática criminosa. O MPSP destacou que diversos policiais estiveram envolvidos, agindo para obstruir investigações que visavam a atividade das empresas ligadas a esse esquema.
### Entenda a operação
Na manhã de quinta-feira (5), o MPSP e a Polícia Federal (PF) lançaram uma operação contra a **corrupção e lavagem de dinheiro** em departamentos da Polícia Civil do Estado de São Paulo (PCESP). Foram expedidos 25 mandados de busca e apreensão, que incluíram unidades policiais, além de 11 mandados de prisão e seis intimações para medidas cautelares direcionadas a integrantes da organização criminosa, advogados e policiais civis na chamada **Operação Bazaar**.
Até o momento, 11 indivíduos foram detidos, dentre eles os **doleiros Leonardo Meirelles e Meire Poza**, que já foram alvo da Operação Lava Jato e são considerados operadores do grupo criminoso.
A decisão judicial que respaldou a operação mencionou um “elevado grau de corrupção sistêmica” entre policiais do **Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic)**, do **Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC)** e do 16° DP (Vila Clementino). A investigação apurou que havia um **”amplo e estruturado esquema de corrupção policial”** projetado para proteger a organização voltada à lavagem de dinheiro.
O MPSP indicou que a organização operava de forma coordenada para assegurar a continuidade das operações ilícitas, adotando métodos como **pagamentos a agentes públicos e manipulação de investigações** para afastar-se da responsabilização.
Para garantir a efetividade da operação, a **Ficco (Força Integrada de Combate ao Crime Organizado)** trabalhou junto à Corregedoria da Polícia Civil para realizar **correições extraordinárias** em todas as unidades policiais implicadas, visando à responsabilização disciplinar e à apuração de outros possíveis ilícitos.
A [CNN Brasil](https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sudeste/sp/corrupcao-na-policia-de-sp-criminosos-usavam-vrs-para-lavagem-de-dinheiro/) tentará contato com as defesas dos alvos da operação para obter mais comentários sobre a situação.
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