O mercado global de açúcar encerrou 2025 em um cenário marcado por forte queda nos preços e alta volatilidade. A equipe de Inteligência de Mercado da StoneX aponta que a combinação de oferta abundante, estoques elevados e uma demanda aquém do esperado gerou condições desfavoráveis ao longo do ano.
Embora se tenha observado um déficit no ciclo 2024/25, a quantidade disponível no mercado internacional foi suficiente para limitar o aumento dos preços. Estoques elevados na Ásia e na África, junto com as exportações recordes do Brasil no ano anterior, diminuíram a necessidade de compras dos principais importadores.
No mercado futuro, o açúcar bruto em Nova Iorque fechou 2025 em queda pelo segundo ano consecutivo, com o contrato para março de 2026 cotado a US¢ 15,01 por libra-peso. Isso representa uma desvalorização anual de 22,1%, a maior desde 2017.
De acordo com a StoneX, mesmo com tentativas de recuperação no início do ano, o alto volume de entregas nos contratos de março e maio evidenciou a fraqueza da demanda física. Em março, as entregas superaram 34 mil lotes, enquanto em novembro, o contrato NY#11 atingiu o patamar mínimo de US¢ 14 por libra-peso.
Na Ásia, as preocupações iniciais relacionadas a perdas na produção foram substituídas por expectativas mais otimistas ao longo de 2025. Chuvas generosas na Índia e no Sudeste Asiático beneficiaram a safra 2025/26. A Índia, com uma produção estimada em acima de 30 milhões de toneladas, anunciou uma cota de exportação de 1,5 milhão de toneladas.
A China aumentou suas importações para até 4,8 milhões de toneladas, mas esse incremento não foi suficiente para elevar as cotações internacionais, devido à crescente oferta regional e ao alto nível dos estoques globais.
No Centro-Sul do Brasil, a safra 2025/26 foi marcada por instabilidades climáticas, mas a moagem ultrapassou 600 milhões de toneladas. Segundo a StoneX, as limitações de produtividade foram compensadas pela maximização do mix açucareiro nas usinas.
A produção nacional deve se aproximar de 40,2 milhões de toneladas, mantendo o Brasil como principal fornecedor internacional e contribuindo para a pressão de baixa sobre os preços globais.
O ambiente de oferta robusta foi reforçado pela expectativa de superávit global de cerca de 3,7 milhões de toneladas para 2025/26, com revisões para baixo no consumo, especialmente nos Estados Unidos e na China. Isso atraiu a atuação de fundos especulativos, que ampliaram posições vendidas, intensificando a volatilidade do mercado.
Instabilidades geopolíticas na Ásia, como tensões na Caxemira e disputas entre Tailândia e Camboja, levantaram preocupações pontuais sobre a oferta. Contudo, conforme a StoneX, esses fatores tiveram impacto limitado devido à ampla disponibilidade da commodity.
Para 2026, a StoneX prevê que o mercado brasileiro será influenciado pela competição entre açúcar e etanol. No início do ciclo 2026/27, a tendência é de que a cana seja direcionada cada vez mais para a produção de etanol, atraindo preços mais favoráveis.
Entretanto, o aumento da moagem, estimado em 620 milhões de toneladas, e a crescente produção de etanol de milho devem assegurar um excedente exportável de açúcar superior a 35 milhões de toneladas. No mercado internacional, os estoques elevados provavelmente continuarão a pressionar os preços, embora a volatilidade possa aumentar se surgir a expectativa de déficit global no ciclo seguinte.
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