BRASÍLIA – A lobista Roberta Luchsinger afirmou em mensagens que Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha e filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi responsável por agendar uma reunião no Palácio do Planalto entre o governador do Maranhão, Carlos Brandão, e Lula, que teria confirmado a liberação de uma obra no estado. Essa informação foi divulgada em meio a uma investigação da Polícia Federal (PF) sobre possíveis práticas de tráfico de influência envolvida na contratação de serviços por órgãos do governo maranhense.
Segundo a PF, a investigação revelou que Roberta intermediou a contratação de uma empresa de tecnologia, a 3Structure, liderada por Cléber Ribas, que fechou contratos de R$ 5,8 milhões com o governo do Maranhão em 2024. A lobista também trocou mensagens sobre negócios diretamente com o governador Carlos Brandão. Em uma comunicação realizada em 22 de maio de 2024, Roberta informou a Lulinha que Brandão confirmaria uma reunião com o chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, para tratar das liberações de obra.
A agenda do governo mostrou que a reunião realmente ocorreu, com a presença de Brandão e outros assessores presidenciais. O governador negou quaisquer relações com Roberta e afirmou que sua agenda não depende de articulações externas. Ele elogiou a parceria com o governo federal, destacando as obras em andamento no Maranhão.
Em resposta, a defesa de Cleber Ribas declarou que sua contratação de Roberta era para assessoria em negócios de tecnologia, uma prática comum. No Maranhão, Roberta também recebeu R$ 4,4 milhões da HSLZ Ltda, empresa de serviço de saúde pública, informação essa investigada pela PF.
Os dados apontam que, ao menos entre março de 2024 e dezembro de 2025, Cleber Ribas pagou R$ 2,5 milhões a Roberta Luchsinger para defender seus interesses em contratos governamentais. Entre as ações do governo federal mencionadas, destaca-se um pacote de obras no Maranhão, que inclui a renovação da concessão do Porto do Itaqui, obras em rodovias e melhorias na saúde pública.
As mensagens revelam uma rede de relacionamentos entre Roberta, Lulinha, e diversos políticos maranhenses, incluindo o deputado federal Fabio Macedo, aliado de Carlos Brandão. Roberta atuava como subsecretária de Representação Institucional do Maranhão, cargo que permite contato próximo com as autoridades em Brasília.
A investigação continua a se desenrolar, e o Palácio do Planalto não se manifestou sobre as alegações. A defesa de Lulinha, por sua vez, criticou a divulgação seletiva das informações, sugerindo que têm um impacto no ambiente eleitoral atual.
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