Dez banqueiros e empresários são esperados na noite desta segunda-feira (31) no Palácio da Alvorada, onde terão um encontro com o presidente e candidato à reeleição pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva, junto ao vice-presidente Geraldo Alckmin e ao ministro da Fazenda, Dario Durigan. Os convidados incluem figuras proeminentes, como Roberto Setúbal (Itaú), Luiz Carlos Trabuco (Bradesco), André Esteves (BTG) e Joesley Batista (J&F).
As convocações para o jantar foram feitas pelo presidente do PT, Edinho Silva, pelo ex-ministro da Fazenda e candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, e pelo próprio André Esteves. Inicialmente, o partido planejava um encontro com uma gama mais ampla de empresários antes do lançamento da candidatura de Lula em um evento na Vila Euclides, São Bernardo do Campo, programado para o dia 16 de agosto. No entanto, essa aproximação foi vetada pelo presidente, que temia que a reunião pudesse misturar os eventos.
A crescente competitividade do senador e candidato do PL à presidência, Flávio Bolsonaro, nas pesquisas eleitorais, forneceu a ele uma nova perspectiva de poder, permitindo que sua campanha se aproximasse do mercado financeiro. Em uma semana, Flávio jantou com Esteves, foi recebido na sede do Bradesco e participou de reuniões com um grupo de banqueiros na casa de Marcelo Kayath (QMS Capital). Segundo um dos participantes desses encontros, existe um maior conforto em relação à visão econômica da equipe de Flávio do que à perspectiva sobre as instituições sob sua possível administração.
Esse avanço preparou o terreno para que Lula autorizasse o jantar desta segunda. Além desse encontro, também é possível que haja uma apresentação futura mais abrangente do plano de governo de Lula a um público maior. Os convidados do jantar são, em sua maioria, acionistas ou presidentes das empresas com as quais Lula já teve uma relação mais próxima em seus mandatos anteriores, mas de quem ele se distanciou durante seu terceiro mandato.
Em geral, os empresários representados no encontro não demonstram preocupação com os atuais índices econômicos do Brasil, como PIB, desemprego e inflação. No entanto, a preocupação principal gira em torno do aumento dos gastos públicos, que, na visão de um dos convidados, demandaria uma redução de cerca de 2% do PIB. O presidente não deve se comprometer formalmente em relação a isso, mas é esperado que ele escute atentamente as preocupações e utilize a experiência de Durigan e Alckmin para sinalizar as diretrizes de seu próximo mandato.
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