Diante da escalada na crise institucional e das recentes pesquisas de opinião, assessores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estão defendendo uma resposta mais enérgica do governo. Essa resposta incluiria a convocação do Conselho da República e a proposta de um mandato para futuros ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Interlocutores diretos de Lula na Esplanada dos Ministérios consideram essencial uma conversa urgente entre o presidente e o atual presidente do STF, Edson Fachin, para discutir os próximos passos e buscar uma “solução pacificadora”. Esses auxiliares acreditam que a solução deve envolver investigações contra o ministro Alexandre de Moraes, além da remoção de André Mendonça das relatorias dos casos Master e INSS, e o encerramento do inquérito das fake news.
O clima no Palácio do Planalto é de grande preocupação em relação ao desempenho de Lula nas pesquisas, especialmente com a competição contra o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, que aparece frente ao petista em simulações de segundo turno. Assessores afirmam que nenhuma questão — seja economia, segurança pública ou soberania nacional — terá tanta importância na reta final da campanha quanto a crise envolvendo o STF.
Consequentemente, algumas figuras próximas ao presidente avaliam que é necessário enviar uma mensagem mais firme sobre a abertura de investigações contra Moraes, possivelmente contactando Fachin para discutir o assunto, apesar de não se comunicar isso publicamente. Ao mesmo tempo, o Planalto considera inaceitável que Mendonça continue como relator dos casos mencionados, alegando uma perda de imparcialidade.
A campanha de Flávio tem enfatizado que, caso Lula seja reeleito em outubro, ele poderá indicar até quatro novos ministros do STF até 2030. Como resposta a essa estratégia, assessores de Lula sugerem que ele defenda uma mudança constitucional para estabelecer mandatos de 10 ou 15 anos para futuros integrantes da Corte.
Além disso, a convocação do Conselho da República foi proposta como parte de uma resposta institucional em meio à crise. O Conselho, que visa assessorar o presidente em questões de crise, é composto por representantes do Poder Executivo, presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados, líderes da maioria e da minoria e representantes da sociedade civil.
Porém, há divergências sobre essa convocação no entorno do presidente, pois alguns consideram que isso poderia atrair mais atenção ao problema, o que seria prejudicial à campanha de reeleição. Paralelamente, o comitê do PT aconselha que Lula reaja “como presidente” diante da decisão que afastou Andrei Rodrigues da direção da Polícia Federal.
A primeira ação do governo será recorrer à decisão através da Advocacia-Geral da União (AGU), argumentando que apenas Lula tem a autoridade para indicar o chefe da Polícia Federal. O presidente também deve solicitar um novo encontro com Edson Fachin para abordar essas questões com urgência.
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