O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) protocolou uma representação no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) nesta segunda-feira (2) em relação a uma suposta propaganda eleitoral antecipada protagonizada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante um evento da direita em São Paulo. Segundo informações publicadas pela CNN Brasil, o ato ocorrido no último domingo (1º) é acusado por Lindbergh de servir como um "cenário de palanque e arregimentação de apoiadores".
No documento apresentado, o deputado menciona que Flávio Bolsonaro fez declarações que contém uma "inequívoca carga eleitoral". Ele se referiu especificamente a uma afirmação do senador em que ele declarou ter certeza de que em 2027, Jair Bolsonaro, seu pai e ex-presidente, “subiria a rampa do Planalto junto com o povo brasileiro”.
A fala de Flávio, conforme análise de Lindbergh, representa uma “enunciação com sentido político-eleitoral imediato”. O senador também criticou o STF (Supremo Tribunal Federal) durante o evento, defendendo o impeachment de ministros que não cumprirem a lei. Ele afirmou que “o povo brasileiro vai ter a oportunidade esse ano de escolher candidatos que se comprometam com o resgate da nossa democracia”, ressaltando ainda que a direita ainda não possui maioria no Senado.
A representação de Lindbergh destaca que o discurso de Flávio possui “um componente adicional de gravidade”, pois instrumentaliza o processo eleitoral como um meio de pressão sobre a jurisdição constitucional, através de ataques ao Supremo. Além da investigação quanto à conduta do senador, o deputado solicita que a prática de propaganda eleitoral antecipada seja reconhecida, com a possibilidade de aplicação de multa, conforme previsto na Lei das Eleições. As sanções podem variar de R$ 5 mil a R$ 25 mil, ou até mesmo o valor referente ao custo real da propaganda, se maior.
Conforme detalha a representação, o valor da penalidade pode ser fixado levando em conta "a gravidade concreta, o alcance do ato e a necessidade de tutela da igualdade de oportunidades no processo eleitoral". Além disso, Lindbergh pede a adoção de “providências complementares” que o Ministério Público Eleitoral e o TSE considerem necessárias para preservar a integridade do pleito.
A Lei das Eleições fixa que a propaganda eleitoral só é permitida a partir de 15 de agosto do ano da eleição. Em consequência do caso, o TSE deve discutir as regras sobre a propaganda eleitoral em uma sessão extraordinária nesta segunda-feira, às 19h.
Os atos de protesto que ocorreram no domingo passado foram realizados em mais de 20 cidades, focando críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e à atuação do STF. Essas foram as primeiras manifestações da oposição após a confirmação de Flávio como candidato à presidência por Jair Bolsonaro.
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