Categories: Concursos

Justiça suspende exames ginecológicos em concurso público após ação de entidades sociais

A 1ª Vara Cível de Jaru, em Rondônia, acatou uma tutela de urgência parcial em uma Ação Civil Pública movida pelo CEDECA Maria dos Anjos e pelo Instituto Banzeiro da Amazônia contra o Município de Governador Jorge Teixeira. A decisão, tomada em 26 de outubro de 2026, suspendeu a exigência de exames ginecológicos como condição para a nomeação dos aprovados no Concurso Público nº 001/2024.

Suspensão de Exames Ginecológicos

De acordo com a decisão judicial, a obrigatoriedade de realização de avaliações ginecológicas, que incluem colpocitologia oncótica, ultrassonografia pélvica e mamografia a partir dos 40 anos, foi suspensa para os cargos de merendeira, auxiliar de creche e professora. O Município está proibido de considerar inapta qualquer candidata que não apresente esses exames e deve notificar a Junta Médica e os setores competentes em até 48 horas.

Críticas às Exigências

O juiz Luiz Marcelo Batista da Silva ponderou que tais exigências envolvem procedimentos invasivos e não justificam uma necessidade técnica específica para as funções em questão. Além disso, as entidades autoras da ação argumentam que a exigência de exames íntimos não apenas viola a dignidade das mulheres, mas também afeta a qualidade do atendimento nas instituições de ensino.

A Ação Civil Pública também questiona outras exigências, como a realização de teste de HIV e a apresentação de declarações relacionadas à gravidez. Estas demandas foram, no entanto, indeferidas por julgar que não atendiam aos requisitos para a tutela de urgência. O mérito dessas questões ainda será julgado em momento posterior, após manifestação do Município.

Recursos e Prazos

As entidades já apresentaram um recurso, o Agravo de Instrumento nº 0815307-64.2026.8.22.0000, ao Tribunal de Justiça de Rondônia (TJRO), buscando o reconhecimento da ilegalidade das exigências. O prazo para os 11 candidatos convocados pelo Edital de Convocação nº 022/2026 se encerra em 5 de novembro, sendo que dez deles são mulheres.

Direitos Humanos em Questão

A discussão sobre a necessidade de exames médicos para a posse em cargos públicos é uma questão que envolve direitos fundamentais. As exigências contrariam princípios estabelecidos na Constituição e em tratados internacionais ratificados pelo Brasil, incluindo a intimidade, dignidade, igualdade de gênero e não discriminação em relação à saúde.

Conclusão

As entidades envolvidas seguem atentas ao caso, dispostas a apoiar candidatos que enfrentam restrições semelhantes. O debate em torno das exigências nos concursos públicos evidencia uma lacuna na proteção dos direitos das mulheres e na luta contra a discriminação e estigmas associados à saúde.

Fonte: CEDECA Maria dos Anjos – Imagem ilustrativa criada por IA.

Bastidores da Notícia

Recent Posts

Sorocaba registra temperatura entre 13°C e 24°C com sol e muitas nuvens hoje

Clima em Sorocaba: Tempo Ameno e Sem Precipitação Nesta terça-feira, 27 de outubro, Sorocaba apresenta…

25 minutos ago

Polícia Militar vira ré em caso de morte de motorista de aplicativo em SP

A Justiça Militar de São Paulo aceitou a denúncia contra dois policiais militares que liberaram…

27 minutos ago

Estudiantes provoca Flamengo em meio a disputa judicial por vaga na final da Libertadores

Juan Martín Ongay, secretário de finanças do Estudiantes, lançou uma provocação ao Flamengo em meio…

28 minutos ago

Painéis solares sobre oliveiras produzem 95% da energia em fábrica de azeite na Espanha

Um projeto inovador na província de Jaén, Espanha, busca integrar a agricultura e a produção…

1 hora ago

PlayStation 5 exige 210 GB para instalar GTA 6; prepare seu console agora

Segundo informações publicadas pelo Omelete, os jogadores de PlayStation 5 precisarão liberar 210 GB de…

1 hora ago

Corpos são abandonados em mata e polícia intensifica investigações em SP

Corpos encontrados em São Paulo: nova investigação em andamento Um recente caso de homicídio em…

2 horas ago