Dezenas de ex-funcionários de uma multinacional especializada na fabricação de lâmpadas com mercúrio enfrentam graves consequências de saúde devido à exposição crônica ao metal tóxico. Apesar de a Justiça ter condenado a empresa em duas instâncias, incluindo uma decisão final em 2024, as vítimas ainda não receberam as indenizações que lhes são devidas. Entre os afetados, alguns operários faleceram sem conseguir obter a reparação financeira que lhes era garantida.
Aurênio Cipriano, eletricista exposto ao mercúrio por cinco anos, teve uma morte prolongada decorrente de problemas de saúde associados à intoxicação, e sua esposa relata a falta de treinamento sobre os riscos do metal durante seu trabalho. Laudos médicos confirmaram que Aurênio sofria de uma síndrome neuropsíquica em decorrência do mercurialismo.
Outro caso emblemático é o de Graciete Maria da Silva, que trabalhou como ajudante de produção por nove anos e, hoje, teme perder a memória. “Os testes no Hospital das Clínicas mostraram que os pontinhos luminosos no meu cérebro são causados pelo mercúrio e podem levar ao Alzheimer”, afirmou.
Além de lapsos de memória, Pedro Domingos de Oliveira, que atuou na empresa por 19 anos, sofre de diversas condições, incluindo lesões cerebrais e transtornos de comportamento. Ele se aposentou por invalidez aos 52 anos devido aos problemas de saúde decorrentes do contato prolongado com mercúrio.
Os ex-trabalhadores também enfrentam complicações bucais significativas. Terezinha Ferreira, que trabalhou de 1990 a 2006, relata que até os implantes dentários não resistem às consequências da intoxicação. Além de problemas dentários, ela enfrenta dificuldades em lidar com a organização de suas tarefas diárias, o que causa estresse emocional.
Em 2024, o Tribunal Regional do Trabalho confirmou uma condenação que prevê compensações de R$ 300 mil para cada vítima, além de pensão mensal. No entanto, a empresa recorreu novamente da decisão. Um dos processos destacou que, em 2004, a quantidade de resíduos de mercúrio alcançou 150 toneladas, contaminando tanto o solo quanto o lençol freático na região da fábrica.
O mercúrio é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um dos dez produtos químicos mais preocupantes para a saúde pública, por suas propriedades neurotóxicas. Em dezembro de 2025, o Brasil prohibiu a fabricação e importação de lâmpadas contendo mercúrio, embora os comerciantes devam vender seus estoques até o final de 2026.
Essa situação representa um grave problema de saúde pública, apontando para a urgência de medidas efetivas e justas, tanto em termos de indenização quanto de prevenção e conscientização sobre os riscos do mercúrio.
Para mais informações, consulte o artigo original publicado por Record.
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