O programa Caminhos da Reportagem abordará o impacto da inteligência artificial (IA) nas eleições em sua edição que irá ao ar nesta segunda-feira (28), às 23h30, na TV Brasil e no canal da emissora pública no YouTube. O uso da IA nas campanhas eleitorais é uma das principais preocupações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que já estabeleceu diretrizes sobre a utilização dessa tecnologia em propagandas eleitorais.
Inteligência artificial refere-se à capacidade de sistemas e máquinas em simular habilidades humanas, como aprendizado, análise de informações, tomada de decisões e geração de respostas. Com a crescente utilização de vídeos, áudios e imagens criados por meio dessa tecnologia, a identificação do que é real e do que é fabricado se torna cada vez mais complexa. Candidatos, plataformas de fiscalização e redes sociais estão em uma corrida para se adaptar a essa transformação digital.
Apesar de a IA não ser proibida nas eleições, há exigências sobre sua utilização. Quando candidatos utilizam IA para gerar conteúdos em áudios, vídeos, textos ou imagens, é necessário que essa informação seja divulgada de forma clara e em destaque. As redes sociais estão obrigadas a remover imediatamente conteúdos considerados desinformação, as conhecidas fake news.
Sérgio Lüdtke, jornalista e editor-chefe do Comprova, projeto da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), lembra que a vigilância, especialmente nas redes sociais, é deficiente. Ele alerta que, devido à fragmentação do conteúdo produzido por IA e à falta de contexto, as pessoas podem ser facilmente enganadas. "Uma peça de desinformação pode mudar o resultado de uma eleição. Como mexe com a decisão das pessoas, isso pode causar grandes problemas para a nossa democracia", destacou.
O professor de direito eleitoral Digital Diogo Rais também comentou sobre a responsabilidade dos eleitores e a frequência com que apoiadores criam conteúdos eleitorais de forma independente. Ele questiona a capacidade da Justiça Eleitoral em fiscalizar esses conteúdos produzidos por terceiros, enfatizando que a legislação não faz distinção sobre a responsabilidade de quem publica. "Quem publica o conteúdo é responsável por ele", explica.
A responsabilidade de investigar conteúdos criminosos recai sobre a Polícia Federal. O delegado da Divisão de Repressão a Crimes Eleitorais da PF, Henrique Oliveira Santos, destacou o problema dos perfis anônimos nas redes sociais. "O que não é verdade, porque nós temos ferramentas de investigação para encontrar não só a materialidade, mas também descobrir autorias", afirmou.
Projetos de checagem de informações e de educação estão sendo desenvolvidos em todo o Brasil com o objetivo de capacitar as pessoas para que elas não sejam manipuladas. Um exemplo é o Coar Notícias, um site criado no Piauí para combater a desinformação, que resultou em manuais regionais de checagem de notícias. O primeiro deles foi o do Nordeste, denominado "Arriégua", seguido por outros manuais de diferentes regiões. Além disso, o Caminhos da Reportagem apresenta iniciativas que focam na educação digital, incluindo cursos de letramento digital para idosos, desenvolvidos pelo Sesc do Distrito Federal.
Diante do crescente uso de IA, a discussão sobre suas implicações nas eleições de 2026 permanece relevante, alertando tanto o público quanto as autoridades sobre a importância da veracidade das informações eletrônicas.
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