O VI Dia Mundial dos Avós e dos Idosos será celebrado neste domingo, 26 de julho, coincidentemente no dia em que a Igreja homenageia São Joaquim e Sant’Ana, avós de Jesus. Em uma entrevista recente, Vittorio Scelzo, responsável pela Pastoral dos Idosos no Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, destacou que o verdadeiro propósito do Dia vai além da organização de serviços: “É preciso construir relações”.
Essas reflexões surgem em um momento em que o compromisso da Igreja com a terceira idade se tornou mais evidente, especialmente após as dificuldades impostas pela pandemia de Covid-19. Segundo informações divulgadas pelo Vatican News, o Dia Mundial dos Avós e dos Idosos não se limita a uma celebração isolada, mas busca desenvolver uma pastoral que reconheça os idosos como protagonistas, e não meros receptores de assistência.
Em sua análise, o oficial do Dicastério mencionou que o desafio reside na transformação desse compromisso em práticas cotidianas que integrem os idosos nas comunidades eclesiais. “A certeza de não ser esquecido por Deus deve se traduzir na experiência cotidiana de não ser esquecido pela própria paróquia e pela própria família”, explicou Scelzo.
O Dia Mundial, que chega à sua sexta edição, também serve como um espaço para repensar a velha visão sobre a velhice, incentivando a superação da chamada “cultura do descarte”, conforme citado pelo Papa Francisco. Leão XIV, na mensagem deste ano, reforça a ideia de que o amor de Deus não esquece ninguém e que a missão da Igreja deve ser tornar visível e tangível esse sentimento. “É preciso ir ao encontro dos idosos, visitá-los e assim reconhecer sua dignidade”, enfatizou.
Scelzo destacou que, ao longo dos anos, têm surgido diversas boas práticas em diferentes dioceses. Entre as iniciativas de sucesso estão as celebrações em torno da devoção a Sant’Ana na América Latina e o trabalho das paróquias para atender idosos especialmente afetados por desastres naturais, como os ocorridos na Venezuela. Além disso, França, Uganda e Índia têm promovido atividades que integram jovens e idosos em momentos de oração e lazer.
Um dos principais desafios para que a proximidade aos idosos se torne prática ordinária na vida da Igreja, segundo Scelzo, é a necessidade de uma mudança de mentalidade, tanto na sociedade quanto entre os próprios idosos. “A velhice não deve ser vista como um tempo vazio, mas como uma fase que traz sua própria espiritualidade e propósito”, afirmou.
Para auxiliar as comunidades na realização do Dia dos Idosos, foram elaborados materiais pastorais, incluindo um “kit pastoral” disponível no site do Dicastério. A proposta é simples e direta: celebrar missas e visitar idosos sozinhos. Estas atividades têm como objetivo garantir que todos, especialmente aqueles acamados, sejam lembrados e incluídos.
As iniciativas promovidas no VI Dia Mundial dos Avós e dos Idosos visam não apenas a celebração do dia, mas a criação de um ambiente acolhedor e de relacionamentos genuínos, que reafirmem a importância da presença dos idosos na comunidade e na Igreja.
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