O governo de São Paulo suspendeu a contratação de novos empréstimos consignados para servidores públicos com o Banco Digimais. Essa decisão foi anunciada logo após o início da Operação Miragem, realizada pela Polícia Federal, que investiga suspeitas de crimes financeiros na instituição, vinculada ao bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e proprietário da RecordTV.
A suspensão foi publicada no Diário Oficial do Estado de São Paulo no dia 29 de junho, em um decreto assinado por Caio Paes de Andrade, secretário de gestão e governo na administração de Tarcísio de Freitas (Republicanos). O Banco Digimais, que estava credenciado junto ao governo paulista desde 2025, não se manifestou sobre a medida.
Em 23 de junho, a Polícia Federal executou nove mandados de busca e apreensão relacionados a diretores e conselheiros do banco. A Justiça Federal também autorizou o bloqueio de bens que podem totalizar R$ 670 milhões, além da quebra de sigilo bancário e fiscal dos alvos. As investigações apontam que os envolvidos manipulavam dados contábeis para disfarçar a real situação financeira do Digimais, com o intuito de garantir operações irregulares.
De acordo com documentos sigilosos da PF, a instituição, sob a direção de Edir Macedo, estaria adotando práticas financeiras irresponsáveis, semelhantes às que levaram à liquidação do extinto Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro em 2025.
Em resposta às investigações, a assessoria do Banco Digimais confirmou que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos. O banco afirma que mantém seu compromisso com a transparência e a conformidade regulamentar.
Dados de março de 2026, conforme divulgados pela plataforma IF Data do Banco Central, mostram que o Digimais possuía R$ 1,6 bilhão emprestados a pessoas físicas, sendo mais de 40% desse montante (R$ 701 milhões) em consignação. A instituição totalizava R$ 10 bilhões em ativos, mas reportou um prejuízo de R$ 108,4 milhões no primeiro trimestre deste ano. Anteriormente, em 2025, registrou um lucro de R$ 31 milhões.
O banco, enfrentando desafios financeiros, recebeu recentemente um aporte do Grupo Record, que injetou cerca de R$ 2 bilhões em caixa. O suporte financeiro foi realizado através de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e é parte das negociações para a possível venda da instituição ao BTG Pactual.
O BTG anunciou que a transação ainda depende de um processo competitivo para que a proposta seja considerada vencedora. Novas regras do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) também estipulam um leilão para o salvamento de instituições financeiras em dificuldades, com o objetivo de reduzir custos para o fundo em caso de falência.
Esta reportagem é baseada em informações divulgadas pela Folha de S.Paulo.
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