O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), anunciou sua renúncia ao cargo nesta segunda-feira, 23 de março de 2026, durante uma cerimônia no Palácio da Guanabara. A decisão ocorre horas antes da retomada do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o caso Ceperj, que pode influenciar sua elegibilidade para concorrer ao Senado. Castro optou por deixar a governança de forma estratégica, visando evitar possíveis consequências jurídicas e fortalecer sua candidatura ao Senado, exigindo a descompatibilização do cargo até o início de abril.
Em seu pronunciamento, Castro declarou: "Hoje eu encerro o meu tempo à frente do governo do estado. Vou em busca de novos projetos". Ele destacou seu desejo de retornar à advocacia e se posicionou como pré-candidato ao Senado, sem abordar diretamente os desafios legais que enfrenta.
Com a renúncia de Castro e a ausência de um vice-governador, o desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, assume a liderança interina do estado. Ele terá a responsabilidade de organizar uma eleição indireta para escolher um governante temporário, conforme estipulado pela legislação. Esta situação surge em um contexto onde a base governista se mobiliza para a escolha de um candidato que possa garantir a continuidade de suas políticas.
Castro também fez um balanço de sua gestão, lembrando sua ascensão ao poder em 2019, após o impeachment do ex-governador Wilson Witzel. Durante sua fala, ele criticou a postura de Witzel em relação ao cargo, afirmando que este não valorizou adequadamente a posição de governador. O ex-governador, por sua vez, é um adversário político importante, especialmente agora que se prepara para concorrer ao governo novamente.
O governador enfrentou um processo no TSE, onde é acusado de abuso de poder político e econômico durante a campanha de 2024. O Ministério Público Eleitoral alega que Castro e seu ex-vice, Thiago Pampolha, cometeram irregularidades ao contratar cabos eleitorais, atividade que pode ter violado normas eleitorais.
Para o pleito indireto, o PL tem interesse em indicar Douglas Ruas como candidato a governador interino. Contudo, uma decisão do ministro Luiz Fux invalidou partes das regras do processo eleitoral, exigindo uma descompatibilização de 180 dias de cargos públicos, o que inviabiliza a candidatura de Ruas no momento, limitando as opções do partido.
A renúncia de Cláudio Castro e a sucessão interina reafirmam um momento conturbado na política estadual, marcado por disputas eleitorais e desafios legais. Essa movimentação política poderá ter um impacto significativo nas próximas eleições e na direção futura do governo estadual.
Fonte: O Globo
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