A Socesp (Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo) e a Prefeitura de São Paulo estabeleceram uma parceria significativa para capacitar agentes da GCM (Guarda Civil Municipal) a auxiliar em emergências cardíacas nas ruas. A formalização deste termo de cooperação técnica ocorreu em fevereiro, e o treinamento dos guardas teve início logo em seguida.
O objetivo é qualificar os 7.500 agentes em manobras de RCP (ressuscitação cardiopulmonar) e no uso de desfibriladores externos automáticos (DEAs). Isso permite que eles realizem o primeiro atendimento a vítimas de parada cardiorrespiratória até a chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Estudos indicam que, aproximadamente, metade das pessoas com menos de 60 anos que sofrem uma parada pode falecer na primeira hora após o evento, especialmente se houver demora no atendimento pré-hospitalar. O cardiologista Agnaldo Piscopo, diretor do Centro de Treinamento da Socesp, ressalta que o uso precoce do DEA pode aumentar em até cinco vezes as chances de sobrevivência.
“Caso o guarda municipal identifique uma parada cardiorrespiratória, ele está preparado para iniciar as compressões e utilizar o desfibrilador. O choque é indicado em quase metade dos casos”, explicou Piscopo, enfatizando que cada minuto de atraso na desfibrilação reduz em cerca de 10% a probabilidade de sobrevivência.
Até agora, 900 dos 7.500 GCMs em operação na capital paulista já foram treinados. No dia 17, uma sessão de capacitação foi acompanhada pela reportagem no Centro de Treinamento da Socesp. Os guardas também aprendem a manusear o DEA, que orienta o socorrista com comandos de voz, analisando o ritmo cardíaco da vítima para indicar a necessidade de choque elétrico.
Cerca de 40 viaturas da GCM temporariamente receberam desfibriladores, identificadas com adesivos. Os guardas qualificados são reconhecidos através de uma etiqueta em suas fardas, onde está escrito “RCP/DEA – guardião do coração”. O kit de suporte do desfibrilador inclui toalha, pás adesivas e barbeador, além de uma ficha de ocorrência que deve ser enviada à Sociedade de Cardiologia para a elaboração de estatísticas.
A ação teve início na região da Avenida Paulista, onde ocorrem de 60 a 130 paradas cardiorrespiratórias anualmente, segundo estimativas da Socesp. A expectativa é expandir o serviço para a cidade inteira, incluindo parques municipais e o bairro do Brás.
A presença de desfibriladores em viaturas de segurança, aliada ao treinamento efetivo dos agentes, é considerada uma medida eficaz para reduzir a mortalidade por parada cardiorrespiratória fora do hospital.
O subinspetor da GCM, Rinaldo Luiz de Lima, destacou a importância de ampliar o trabalho de atendimento em uma cidade como São Paulo, enfatizando a necessidade de assistência em toda a capital, incluindo as periferias.
De acordo com informações da Secretaria Municipal de Segurança Urbana (SMSU), essa capacitação faz parte da política de atualização contínua da Guarda Civil, que tem buscado ampliar a formação dos agentes para diferentes tipos de atendimento à população.
A reportagem questionou a secretaria sobre a possível compra de DEAs para a continuidade do programa, mas até o fechamento deste relato, não obteve resposta.
As informações são baseadas em dados divulgados pela Folha de S.Paulo.
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