O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi transferido na última quinta-feira (19.03.2026) da Penitenciária Federal de Brasília para a Superintendência da Polícia Federal na capital. A decisão foi tomada por ordem do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que atendeu um pedido da defesa do empresário, conforme reportado pelo Poder360.
Vorcaro está em prisão preventiva desde 6 de março, como investigado na operação Compliance Zero, que investiga fraudes no sistema bancário. A 2ª Turma do STF decidiu, em 13 de março, pela manutenção da prisão do empresário. Desde a última transferência, Vorcaro passou a contar com um novo advogado, José Luis Oliveira Lima, que pode favorecer uma delação premiada no caso. Lima é conhecido por ter atuado em outros casos de delação, como no de Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, durante a Lava Jato.
Além de Oliveira Lima, a defesa de Vorcaro inclui Roberto Podval, que poderá se afastar do caso, e Sérgio Leonardo. Em reunião realizada com o ministro André Mendonça na terça-feira, os advogados discutiram a possibilidade de um acordo de delação premiada, que poderia render benefícios ao empresário em caso de condenação.
O ministro André Mendonça assumiu o inquérito em 12 de fevereiro, após a saída do colega Dias Toffoli do caso. Mendonça foi responsável por autorizar a 3ª fase da operação Compliance Zero, que resultou na prisão de Vorcaro, com evidências que apontam a sua participação em ações que envolvem a captação de recursos de forma irregular e a aplicação de valores em investimentos de alto risco.
Em sua decisão, o ministro afirmou que Vorcaro teve atuação direta nas estratégias financeiras do Banco Master, participando de decisões cruciais para a captação e alocação de recursos. Essa gestão incluiu a emissão de títulos com taxas de retorno incomum, direcionando os fundos obtidos para ativos de alta volatilidade e baixa liquidez.
Adicionalmente, a investigação da PF identificou quatro núcleos de operação no esquema fraudulento:
Além de Vorcaro, outras figuras envolvidas no caso foram presas, incluindo Fabiano Zettel, e um policial federal aposentado. A situação de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como ‘Sicário’, se complicou, pois faleceu durante custódia da Polícia Federal.
A quebra de sigilo de Vorcaro revelou que ele possuía contatos com autoridades de diferentes esferas, incluindo três ministros do STF e diretores do Banco Central, expostos em mensagens de um dos celulares apreendidos durante a operação.
As complexas ramificações da operação Compliance Zero e as possibilidades de um acordo de delação premiada prometem continuar a impactar a esfera jurídica e financeira do Brasil nos próximos meses. As investigações sobre o Banco Master seguem, acompanhadas de perto pela opinião pública e autoridades, que buscam maior transparência no sistema bancário nacional.
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