No início de 2025, Edilma Carvalho da Silva, 48 anos, recebeu um telefonema que esperava há tempos. Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, uma funcionária do Hospital Nossa Senhora do Pari ligou apenas para confirmar se ela estava viva e se ainda tinha interesse em aguardar uma cirurgia. Essa resposta decepcionou Edilma, que aguarda um procedimento desde dezembro de 2022, após ser diagnosticada com um problema no ligamento do ombro esquerdo que a impede de levantar o braço.
Na mesma situação, está a vizinha de Edilma, Simone Mendes de Castro, 51 anos. Ambas fazem parte das 149 mil pessoas que aguardam cirurgias eletivas na cidade de São Paulo. Esse número, embora significativo, representa uma queda em relação a 2023, quando havia 228 mil aguardando por procedimentos, conforme relatou a Secretaria Municipal da Saúde.
Simone vive um drama pessoal desde 11 de abril, quando foi atropelada por um caminhão enquanto trabalhava como motogirl para o iFood. O acidente resultou em uma ruptura total do ligamento cruzado anterior e uma ruptura parcial do ligamento colateral medial no joelho direito. A recuperação não tem sido fácil; está sem conseguir dobrar ou colocar peso na perna, e ainda sofreu um hematoma na canela.
Após o acidente, recebeu a informação de que necessitaria de cirurgia, mas essa não poderia ser realizada imediatamente devido ao inchaço em sua perna. Após quatro dias de internação, foi liberada para tratamento domiciliar. No entanto, ao sair do hospital, foi até a fila de espera para a cirurgia, onde, segundo uma consulta com um fisioterapeuta, seria necessário esperar pelo menos um ano ou pagar R$ 30 mil para um procedimento particular.
Simone relata uma sensação de incapacidade desde o acidente. Antes ativa, agora depende do filho de 25 anos, com quem mora, para as tarefas do dia a dia e sente que está diminuindo a sua qualidade de vida. “Eu estava muito feliz com meu trabalho. Agora me sinto um peso”, desabafa.
Seu maior medo é perder a mobilidade e, consequentemente, a capacidade de retornar ao mercado de trabalho. Mesmo assim, ela ainda alimenta esperanças de que sua situação se resolva rapidamente. Sonha em retomar atividades simples, como ir à praia em Ubatuba.
Conforme informa a Secretaria Municipal da Saúde, entre 2023 e 2025, foram realizadas 3,2 milhões de cirurgias, incluindo procedimentos de todas as complexidades. Os números atualizados indicam que a gestão de Ricardo Nunes (MDB) tem feito esforço para reduzir a espera, ampliando o funcionamento de hospitais e promovendo ações estratégicas.
A secretaria também destacou que a fila de espera está constantemente mudando. A avaliação cirúrgica não significa que a cirurgia será imediata, pois depende de vários fatores, incluindo a atualização dos casos e processos clínicos.
Sobre as situações de Edilma e Simone, a Secretaria confirma que Edilma tem uma consulta agendada para 24 de junho e que Simone será atendida por um médico na próxima quarta-feira (20), para avaliação e definição de condutas clínicas.
A saúde pública vem recebendo suporte de diversas organizações, incluindo a Umane, que apoia iniciativas voltadas à promoção da saúde e do bem-estar.
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