O ex-diretor-geral da DEAT (Diretoria Geral Executiva da Administração Tributária) da Secretaria da Fazenda de São Paulo, André Weiss, mencionou a palavra “rateio” em relação a uma reunião reservada com indivíduos investigados por um esquema de cobrança de propina ligado a procedimentos de créditos tributários. A revelação surgiu a partir de uma gravação ambiental efetuada em 2023, por um membro do grupo. Conforme a investigação do Ministério Público de São Paulo (MPSP), Weiss fez referências a métodos de lavagem de dinheiro e a riscos de exposição e responsabilização penal durante o encontro.
Os desdobramentos culminaram na prisão de Weiss e do advogado João Buttini, realizada na manhã desta quinta-feira (3), em uma operação do MPSP, cujo foco é aprofundar as investigações sobre uma organização criminosa supostamente atuante na Secretaria da Fazenda e Planejamento do estado. As autoridades estão cumprindo dois mandados de prisão preventiva contra Weiss e Buttini e executando buscas em 47 endereços localizados na capital, na Grande São Paulo, além de áreas no interior paulista e em Mato Grosso do Sul.
O MPSP considera a gravação uma das principais provas contra André Weiss. O áudio foi recuperado de um celular de um dos investigados, que registrou o encontro. Na conversa, Weiss se refere ao “rateio” em um contexto que envolve um delegado. Além disso, ele teria discorrido sobre formas de lavagem de dinheiro e os potenciais impactos de uma exposição pública sobre o esquema, que inclui quatro frentes de prova: a gravação, colaboração premiada, documentos sobre “rateio” e registros financeiros e patrimoniais obtidos por meio de instalações de inteligência financeira do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).
O MPSP desencadeou a operação com o objetivo de investigar um grupo supostamente envolvido em práticas de cobrança de propina para influenciar procedimentos relacionados a créditos tributários na Secretaria da Fazenda do estado. O advogado João Buttini é destacado como um dos principais alvos, sendo apontado como responsável pela captação de grandes contribuintes e pela negociação de honorários e vantagens indevidas.
Analisando documentos, Buttini é acusado de ter repassado cerca de R$ 13 milhões em vantagens indevidas entre 2021 e 2025, dos quais R$ 4,5 milhões seriam destinados a André Weiss, muitas vezes transportados fisicamente de forma clandestina.
Weiss é caracterizado pelo MPSP como o chefe do núcleo público do esquema, utilizando sua posição para favorecer os interesses da organização criminosa dentro da Secretaria da Fazenda.
A Secretaria da Fazenda e Planejamento, em resposta ao desfecho da Operação Ícaro, anunciou que está colaborando com o MPSP em uma apuração rigorosa dos fatos. Desde a operação, cinco pessoas foram demitidas, e outros 17 servidores foram afastados sem remuneração. As empresas envolvidas também estão sendo responsabilizadas com autuações que já resultaram na constituição de mais de R$ 3 bilhões em créditos tributários, multas e juros.
A Secretaria garante que qualquer novo fato resultante da investigação será devidamente apurado e que ações corretivas serão tomadas em caso de comprovação de irregularidades.
A CNN Brasil está em busca de contato com a defesa dos implicados na operação e mantém um espaço aberto para manifestações sobre o caso.
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