As Forças Armadas dos Estados Unidos realizaram bombardeios direcionados a alvos iranianos na região do Estreito de Ormuz nesta sexta-feira, 26 de junho. A ação foi uma resposta ao ataque ocorrido no dia anterior contra um cargueiro, conforme informou o Comando Central dos EUA (Centcom). Os ataques atingiram depósitos de mísseis e drones iranianos, bem como radares costeiros.
O impacto dos bombardeios americanos sobre o recente memorando de entendimento entre Washington e Teerã ainda é incerto. Esse acordo, assinado na semana passada, proíbe ataques mútuos entre os dois países. O Centcom alegou, em comunicado, que “a agressão injustificada das forças iranianas contra a navegação comercial violou claramente o cessar-fogo” e que o comportamento do Irã prejudicou a liberdade de navegação em um momento crucial para o comércio internacional.
Seguindo os ataques dos EUA, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou que executou ações contra várias posições das tropas americanas na região, embora não tenha fornecido detalhes adicionais, de acordo com a imprensa estatal iraniana. Além disso, a mídia local relatou que um projétil atingiu uma área próxima a um píer em Sirik, no sul do Irã, e disparos de advertência foram feitos contra “embarcações infratoras” no estreito.
O vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, afirmou que “a violência será respondida com violência” após os bombardeios. “Se houver divergências sobre a forma como o memorando de entendimento está sendo aplicado, eles podem simplesmente pegar o telefone”, escreveu Vance em suas redes sociais.
O presidente Donald Trump, conversando com jornalistas na Casa Branca, indicou que uma resposta dos EUA poderia ocorrer em breve, mencionando um ataque a um navio, o Ever Lovely, que deixou Ormuz em direção a Omã. Segundo o Centcom, este navio foi atingido por um drone suicida iraniano, mas Teerã não assumiu a responsabilidade, alertando apenas que embarcações não deveriam seguir rotas não autorizadas.
Recentemente, a ONU havia anunciado esforços para iniciar a retirada de navios retidos no Golfo Pérsico desde o início do conflito em fevereiro. Aproximadamente 20% das exportações globais de petróleo e gás natural transitam por Ormuz, e os ataques ocorrem em um momento em que o fluxo comercial começava a se estabilizar.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, reforçou a importância de uma navegação “livre, incondicional e irrestrita” pelo estreito, em uma declaração junto ao Conselho de Cooperação do Golfo. Essa posição foi contestada pelo Irã, que criticou o que chamou de intervenção dos EUA e a insinuação de que poderia impor tarifas sobre a navegação.
O governo iraniano destacou que a passagem segura pelo estreito não deve depender de arranjos ambíguos e reafirmou sua posição como estado costeiro fundamental para a região. Além disso, a televisão estatal do Irã informou que três petroleiros estrangeiros foram obrigados a retornar após tentativas de travessia não autorizada.
A situação no Estreito de Ormuz continua delicada, com tensões entre os EUA e Irã se intensificando, o que pode afetar drasticamente o comércio internacional e a segurança marítima na região.
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