A escalada da violência no Oriente Médio intensificou-se nesta terça-feira (11), quando os Estados Unidos lançaram mísseis contra um navio que desrespeitou seu bloqueio ao Irã, enquanto rebeldes apoiados por Teerã no Iémen mataram quatro marinheiros em uma embarcação no Mar Vermelho. Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, os acontecimentos refletem a crescente tensão na região, marcada por um impasse diplomático entre o governo de Donald Trump e o Irã, no contexto de um acordo para encerrar a guerra iniciada por EUA e Israel no final de fevereiro.
A reação do mercado de petróleo foi negativa, com o preço do barril de contratos futuros superando a marca de US$ 90, o que representa um aumento significativo desde o início de agosto.
O primeiro incidente ocorreu no estreito de Bab el-Mandeb, que conecta o Mar Vermelho ao Oceano Índico. Os rebeldes houthis afirmaram que bloquearam o tráfego para navios que se dirigem aos portos da Arábia Saudita. Um navio de carga egípcio, o Tihamah, foi atingido por drones vindos dos houthis. Embora a embarcação tivesse um destino alegado de retornar aos Emirados Árabes Unidos, os rebeldes alegaram que se tratava de um transporte de armas para os sauditas.
Essas foram as primeiras mortes resultantes de ataques houthis desde que eles começaram a atuar no atual conflito, buscando o controle da região oeste do Iémen contra o governo deposto em 2014, com apoio da Arábia Saudita.
A ação dos EUA aconteceu posteriormente, quando um helicóptero MH-60 Seahawk disparou mísseis Hellfire contra o navio de carga M/V Vela Nova, que estava próximo à costa do Paquistão e se dirigia para o estreito de Hormuz. Segundo o comando americano, o navio não atendeu ao bloqueio reestabelecido em 14 de julho, indicando que se dirigia a um porto iraniano. Um documento de rota, no entanto, apontava como destino os Emirados Árabes Unidos.
O Comando Central dos EUA relatou que, até agora, 55 navios foram desviados, enquanto dois foram abordados e três, incluindo o Vela Nova, receberam disparos. Até o momento, não há relatos de feridos devido a essa operação.
O bloqueio ao Irã não impediu o país de reforçar seu controle no estreito de Hormuz, uma rota crucial para o transporte de 20% do petróleo e gás natural do mundo. O novo chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaei, declarou que as negociações para compartilhar o controle do estreito com Omã não estão ligadas ao conflito com os EUA. A intenção é que Hormuz permaneça fechado, a menos que condições básicas estabelecidas anteriormente sejam atendidas.
A situação no tráfego marítimo continua crítica. Apenas seis embarcações passaram pelo estreito de Hormuz na segunda-feira (10), em comparação com uma média de 140 antes da guerra. No estreito de Bab el-Mandeb, a média diária caiu de 50 para 32 navios, conforme dados da consultoria Kpler.
O governo Trump manifestou a intenção de continuar a pressão sobre o Irã, e a possibilidade de uma solução rápida permanece em discussão. Contudo, a chefia das Forças Armadas dos EUA já demonstrou descrédito em estratégias baseadas apenas em bombardeios. As próximas eleições parlamentares em novembro também devem influenciar a abordagem do governo, dado que a guerra é impopular entre os americanos, assim como em Israel, onde o premiê Binyamin Netanyahu enfrenta desafios relacionados ao pleito legislativo de outubro.
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