SÃO PAULO – As declarações de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, sobre os altos valores de um contrato com o Banco Master, geram desconfiança entre advogados da área. A advogada apresentou uma nota mencionando serviços prestados à instituição. O contrato em questão, que soma R$ 129 milhões, levantou críticas por seus valores exorbitantes.
Segundo informações publicadas pelo Estadão, 13 escritórios de advocacia consultados sob condição de anonimato se mostraram céticos em relação aos custos. A grande maioria dos especialistas avalia que os valores pedidos pelo escritório Barci de Moraes estão bem acima da média do mercado nas áreas em que os serviços foram prestados. O escritório, procurado para esclarecer a questão dos valores, reiterou que já havia se manifestado por meio de nota pública sobre os serviços realizados.
Não existem informações públicas sobre os valores efetivamente recebidos. Embora o Barci de Moraes afirme que o contrato foi celebrado para o período entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, o montante de R$ 129 milhões equivale, em um cenário de validade total, a R$ 5,8 milhões mensais. Contudo, reportagens do O Globo indicam que o valor total foi negociado para um período de três anos, resultando em honorários mensais de R$ 3,6 milhões.
O Estadão realizou estimativas com base em consultas a especialistas, que indicaram que os serviços descritos pela defesa não chegariam perto desses valores exorbitantes. Mesmo admitindo um aumento nos honorários para incluir a colaboração de outros escritórios mencionados, não há precedentes de serviços que justifiquem custos tão altos.
No Brasil, os escritórios operam com três modelos principais de contratação. O primeiro é o time sheet (pagamento por hora), comum entre grandes escritórios e que resulta em honorários que variam de R$ 1.000 a R$ 5.000 por hora, dependendo da qualificação do advogado.
Além disso, há o modelo de pacote fechado, onde um valor é estipulado para determinado conjunto de atividades. A terceira forma é a cláusula de êxito, que promete um adicional substancial em caso de sucesso na causa.
A nota de Viviane Barci não esclarece qual modelo foi adotado, embora tenha detalhado que foram consumidas pelo menos 264 horas em reuniões institucionais e a produção de 96 pareceres jurídicos. Para atingir o valor de R$ 129 milhões seria necessário um comprometimento muito elevado de horas, o que não é viável considerando os limites de um ano.
Especialistas em compliance afirmam que o custo para serviços semelhantes raramente ultrapassa R$ 10 milhões, independentemente do método adotado. É interessante notar que o Barci de Moraes não é reconhecido por seu prestígio nas áreas de compliance e direito penal, aspectos que tornam os altos honorários ainda mais questionáveis.
O desfecho para esses serviços prestados ao Banco Master levanta preocupações sobre a fidedignidade das informações apresentadas. Dos advogados consultados, apenas um considerou o valor plausible, desde que haja comprovações documentais e contábeis robustas.
A íntegra da nota divulgada pelo Barci de Moraes será mantida em reserva neste texto, mas enfatiza a série de atividades e reuniões que a equipe realizaria durante a vigência do contrato. O escritório ressalta sua trajetória de quase duas décadas e a qualificação de seus serviços.
As investigações acerca do contrato de R$ 129 milhões seguem, e a comunidade jurídica observa atentamente, aguardando uma melhor explicação do ministro Alexandre de Moraes sobre a situação.
Para mais detalhes, acesse a reportagem original do Estadão aqui.
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