Segundo informações publicadas pela BBC, neste mês de junho, dois vizinhos do Brasil—Peru e Colômbia—enfrentam eleições que podem alterar suas orientações políticas nos próximos anos. O Peru vai às urnas no domingo (7/6), enquanto a Colômbia o fará em 21 de junho.
A recente ascensão de candidatos conservadores marca uma mudança no cenário político, dado que nas últimas eleições, ambos os países foram governados pela esquerda. No entanto, os candidatos de direita lideram agora após o primeiro turno.
Implicações para a América Latina
A vitória da direita na América Latina pode representar um alinhamento político próximo ao governo de Donald Trump nos Estados Unidos, o que poderia impactar diretamente o Brasil. De acordo com Feliciano de Sá Guimarães, professor do Instituto de Relações Internacionais da USP, "os americanos estão fazendo um círculo de fogo em torno do Brasil".
Se a esquerda vencer, pode oferecer alívio ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva, que enfrentaria um cenário mais favorável com aliados regionais. Carolina Silva Pedroso, pesquisadora da Universidade Estadual Paulista (Unesp), ressalta que uma vitória da esquerda — especialmente na Colômbia — não necessariamente garantirá facilidade ao governo Lula.
O cenário eleitoral
No Peru, Keiko Fujimori, que tenta se tornar presidente pela quarta vez, enfrenta Roberto Sánchez, um ex-ministro. Já na Colômbia, Gustavo Petro, o primeiro presidente de esquerda do país, apoia Ivan Cepeda, que conseguiu o segundo lugar no primeiro turno, enquanto Abelardo de la Espriella, um político da direita radical, está a sua frente.
Onda conservadora na América do Sul
A polarização política na América do Sul parece estar se intensificando, com a direita ganhando força em várias eleições recentes. Javier Milei, da Argentina, e Daniel Noboa, do Equador, são exemplos de líderes que ultrapassaram uma agenda esquerdista, enquanto a exceção é o Uruguai, que optou pela esquerda.
A ascensão da direita tem uma conexão significativa com a eleição de Trump em 2016 e agora em 2024, uma vez que esses fenômenos apresentam uma integração entre partidos de direita na região, como observa Pedroso.
Impactos no Brasil
A influência das eleições colombianas e peruanas no Brasil pode ser complexa. Apesar de a política externa ser um tema significativo para os brasileiros, Feliciano de Sá Guimarães observa que "o fator Trump é mais relevante do que as eleições em si". A direita no Brasil pode aproveitar os resultados para mobilizar seu eleitorado.
Desde a vitória de Lula, o Brasil se vê em um impasse, refletido em sua rejeição elevada, que alcançou 53% da população, conforme pesquisa da Quaest. Mesmo com uma liderança nas intenções de voto, o cenário se mostra desafiador para o atual presidente.
Caso os candidatos de direita ganhem, a dinâmica política pode mudar substancialmente na região, impactando as estratégias do Brasil junto aos Estados Unidos. A relação entre Lula e Trump seria sob novos termos, visto que os interesses políticos podem não se alinhar de maneira favorável ao Brasil.
Considerações finais
A relação entre os resultados das eleições na Colômbia e no Peru e a política brasileira é uma questão que transcende fronteiras, especialmente no que diz respeito a desafios transnacionais e ao combate ao crime organizado. A forma como o Brasil se relaciona com seus vizinhos e como essa política se articula no cenário internacional deverá ser monitorada de perto nos próximos meses.
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