O presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, reconheceu que a legenda cometeu um erro ao não assinar o requerimento para a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banco Master. A declaração ocorreu em entrevista concedida à jornalista Vera Rosa, do jornal O Estado de S. Paulo, publicada em 1º de maio de 2026.
Edinho enfatizou que a base do governo de Luiz Inácio Lula da Silva deveria ter assumido o protagonismo nas investigações, afirmando: “O PT deveria ter assinado a CPI do Banco Master. Foi um erro que o PT cometeu”.
Ainda segundo Edinho, há uma percepção política de que comissões de inquérito podem paralisar o Congresso e o governo, mas ele ponderou que as atuais denuncias exigiam uma postura diferente. Após a entrevista, o dirigente informou que a bancada petista protocolou um requerimento próprio para a CPI, liderado pelo senador Rogério Carvalho (PT-SE), embora tenha optado por não subscrever a solicitação feita pela oposição.
Sobre a fraude financeira, Edinho desviou o foco da responsabilidade do atual governo, afirmando que as operações irregulares do Banco Master foram autorizadas pelo Banco Central durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ele declarou: “As operações que depois foram demonstradas fraudulentas foram autorizadas pelo Banco Central na gestão do Campos Neto”.
Edinho ainda enfatizou que foi o presidente Lula quem direcionou a Polícia Federal a investigar as denúncias de corrupção. Quando questionado sobre citações a políticos do PT da Bahia no relatório da PF, como o senador Jaques Wagner e o ministro Rui Costa, o presidente do PT negou qualquer envolvimento ilícito.
A avaliação de Edinho sobre a CPI surge em um momento de dificuldades para o governo no Congresso. O presidente do PT criticou a rejeição do Senado ao nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, considerando isso um “grave erro” que fragiliza a relação entre os poderes.
Ele também manifestou descontentamento com a derrubada do veto presidencial ao projeto que reduz penas de condenados pelos atos extremistas de 8 de janeiro. Para Edinho, a aprovação da medida representa um desvio do Congresso em relação às expectativas da sociedade em um momento de crise democrática.
O dirigente ainda mencionou que o modelo político brasileiro está “totalmente destruído”, citando o uso excessivo de emendas parlamentares impositivas como um dos sintomas dessa deterioração.
Durante a entrevista, Edinho criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por suas declarações sobre as reservas brasileiras de terras-raras, chamando-as de “absurdo”. O presidente do PT defendeu a necessidade de um desenvolvimento nacional que valorize esses recursos, em vez de vê-los apenas como uma commodity para exportação.
Edinho Silva também se posicionou a favor da redução da jornada de trabalho, considerando a resistência a essa ideia como “falta de inteligência”. Ele argumentou que a proposta de reduzir a carga horária para 40 horas semanais é fundamental para assegurar que o aumento da produtividade se traduza em consumo.
Por fim, Edinho reiterou que não há possibilidade de o presidente Lula não concorrer à eleição de 2026, afirmando que ele é o candidato mais preparado para guiar o país.
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