ESPECIAL
Um recente episódio envolvendo um Boeing 737-200, que pousou no Aeroporto Internacional de Viracopos, trouxe à tona o nome de uma figura controversa da política hondurenha. Após um voo do Haiti com escalas no Peru e na Bolívia, a aeronave de 43 anos chegou ao Brasil com imigrantes haitianos, dos quais apenas dois possuíam a documentação necessária. Os demais viajavam com documentos falsos, conforme foi apurado pela Polícia Federal.
Após o desembarque, a companhia aérea Aviatsa, responsável pelo voo, deveria transportar os passageiros de volta ao Haiti, porém a situação gerou um impasse que manteve os passageiros a bordo por quase 10 horas. O episódio gerou diversas perguntas entre o público, como a falta de verificação documental adequada e as razões para o uso de uma aeronave antiga em vez de opções modernas que fazem a rota regularmente.
A figura central nesse contexto é Felix Francisco Pacheco Reyes, proprietário da Aviatsa. De acordo com documentos oficiais consultados pela imprensa hondurenha, Reyes é envolvido em uma rede complexa que conecta políticos, empresários e o crime organizado em Honduras.
O empresário não apenas possui a Aviatsa, mas também controla outras 10 empresas no setor de transporte, incluindo a Inversionistas Tecnológicos Unidos (Itusa), todas ligadas a contratos controversos com o governo hondurenho. Recentemente, a Itusa firmou um acordo com a Polícia Nacional de Honduras para aluguel de um jato, destacando a relação intrincada de Reyes com a administração pública, conforme reportado pelo Criterio.
A ligação de Reyes com o ex-presidente Juan Orlando Hernández, que governou Honduras entre 2014 e 2022 e atualmente enfrenta acusações de corrupção e tráfico de drogas pela DEA, é notável. Hernández foi deportado para Honduras após ser condenado, mas foi agraciado com um perdão presidencial por Donald Trump, estando agora como foragido da Justiça.
Documentos do Department of Justice dos EUA revelam que Reyes esteve envolvido na venda de aeronaves, que foram supostamente utilizadas para tráfego de drogas. As investigações indicam que o governo de Honduras fretou essas aeronaves por meio de empresas de fachada de Reyes, levantando sérias questões legais e éticas.
A situação se complica ainda mais com a construção de um aeródromo ligado à família de Hernández, com a participação de empresas de amigos próximos ao ex-presidente. Essa infraestrutura foi utilizada para transportar políticos e jornalistas, suscitando questionamentos sobre financiamentos e contratos irregulares.
O Expediente Público enfatiza que essas operações envolvem uma teia de corrupção que merece investigação aprofundada, visto que a Aviatsa foi um dos operadores citados em casos de uso inadequado de fundos públicos.
Até o momento, as investigações não esclareceram quem arcou com os custos do fretamento da Aviatsa para trazer os haitianos ao Brasil, tampouco o porquê de não utilizarem outras companhias aéreas convencionais que já operam essa rota.
A Polícia Federal brasileira está investigando a Aviatsa por possíveis práticas de tráfico humano. A companhia, através de declarações, afirmou ter se sentido pressionada a decolar com os passageiros e destacou a competência do Brasil para conduzir as investigações alegando que o ocorrido expôs uma “atitude intransigente” da Polícia Federal em relação aos haitianos que entram no país.
O contexto atual levanta ainda mais críticas em relação ao sistema de controle e fiscalização que envolve a imigração no Brasil, onde voos regulares já estabelecidos fornecem uma alternativa viável e sem complicações legais para a entrada de haitianos.
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