A Confederação Nacional do Transporte (CNT) manifestou, na última segunda-feira (18), sua oposição à proposta que visa a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais com a manutenção dos salários. O presidente da CNT, Vander Costa, destacou durante uma sessão da Câmara dos Deputados que a medida pode acarretar aumentos nos custos operacionais das empresas e, consequentemente, influenciar a inflação.
Segundo informações publicadas pelo Poder 360, Costa sugeriu uma transição gradual de quatro anos, na qual a jornada seria reduzida em uma hora por ano. O dirigente argumentou que essa abordagem permitiria às empresas de transporte adaptarem-se às novas condições sem repassar os custos ao consumidor final.
“Se a PEC for aprovada, pedimos um período de transição. Com uma redução de uma hora por ano, ao longo de quatro anos, veremos um impacto menos abrupto na estrutura de custos”, afirmou Costa.
O projeto em debate na Câmara propõe a eliminação da jornada de trabalho na escala 6 X 1, exigindo que as empresas garantam dois dias de descanso sem perdas salariais. No entanto, Costa se alinha às posições contrárias de representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Confederação Nacional do Comércio (CNC), que priorizam a negociação coletiva como solução mais viável.
A CNT argumenta que a redução da jornada terá um impacto significativo nas receitas do setor de transporte, que já opera com margens de lucros reduzidas. Uma elevação nos custos operacionais resultaria, segundo a confederação, em um aumento nos preços dos serviços e produtos.
“O setor de transporte trabalha com margens pequenas. Se formos obrigados a aumentar o número de funcionários ou a pagar horas extras, haverá um impacto direto nos preços”, disse Costa.
Vander Costa ainda previu que a implementação da PEC pode exigir a contratação de cerca de 250.000 novos trabalhadores no setor, em um contexto de quase pleno emprego no Brasil, o que torna a situação ainda mais complicada.
Vale destacar que a proposta da PEC foi apresentada em 2019, em um cenário de alto desemprego, contrastando com as condições atuais do mercado de trabalho. O presidente da CNT abordou também as implicações da redução da jornada para motoristas de transporte urbano, enfatizando que os serviços devem funcionar diariamente e a falta de mão de obra torna a proposta inviável.
“Nos ônibus urbanos, é necessário operar 7 dias por semana. A diminuição da jornada teria um efeito cascata na necessidade de mais motoristas, agravando a escassez de mão de obra”, concluiu Costa.
Assista ao debate:
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