O climatologista Carlos Nobre, referência global em mudanças climáticas, alertou sobre a iminência de um El Niño “muito forte”, que pode ter impactos significativos em diversas regiões. Conforme reportado pela Terra, Nobre destacou a presença de eventos climáticos extremos, como vendavais no Sudeste e secas severas na Amazônia.
Ele criticou a falta de políticas públicas que protejam populações vulneráveis durante ondas de calor, referindo-se como “ignorância inacreditável” a postura de políticos negacionistas neste estágio da crise ambiental.
Durante uma recente entrevista, Nobre vinculou o aumento de fenômenos climáticos extremos em São Paulo às chamadas “ilhas urbanas de calor”. Segundo ele, essas áreas elevam significativamente as temperaturas, que podem ter contribuído para o vendaval que atingiu a cidade recentemente.
Carlos Nobre esclareceu que não se refere ao fenômeno como “super El Niño”, mas sim como um El Niño “muito forte”. A classificação é feita com base na temperatura das águas do Pacífico Equatorial, sendo que temperaturas que ultrapassam 2ºC acima da média indicam um fenômeno de grande magnitude.
O climatologista lembrou que os eventos de El Niño de 1992/1993 e 2015/2016 foram de grande magnitude, e que o fenômeno atual já apresentou impactos significativos, mesmo em fases moderadas, como chuvas intensas no Sul do Brasil e severas secas na Amazônia.
A análise ainda incluiu a temperatura do Atlântico, que apresenta um aquecimento significativo, especialmente na costa do Nordeste. Nobre afirmou que isso pode resultar em chuvas benéficas para a região, mas também está atrelado ao aquecimento global.
Sobre o vendaval recente, Nobre destacou que fenômenos como esse são comuns, mas o fato de terem atingido velocidades extremas em áreas urbanas requer atenção. “O Atlântico está mais quente e estamos estudando essa relação”, apontou.
Nobre acredita que o Brasil está mais bem preparado para enfrentar um El Niño “muito forte”. A resposta em eventos anteriores, com ações preventivas por parte das Defesas Civis, parece ter melhorado. No entanto, ele ainda critica a falta de políticas específicas para proteger as populações mais vulneráveis, que são as mais afetadas durante ondas de calor.
Ele reconheceu um aumento na consciência sobre questões climáticas entre governantes de diversas ideologias, fazendo um apelo por uma abordagem unificada em relação ao aquecimento global e seus efeitos adversos.
Em termos econômicos, Nobre enfatiza que o agronegócio será um dos setores mais prejudicados pelas mudanças climáticas, mesmo que muitos dos empresários continuem acreditando que a expansão do desmatamento é uma solução viável.
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