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Cia. Tradicional de Comércio transforma bares em ícones da gastronomia brasileira

A história da **Cia. Tradicional de Comércio**, um dos maiores grupos de hospitalidade do Brasil, surgiu de uma simples pergunta: por que alguns bares se tornavam ícones que atravessavam gerações enquanto outros desapareciam rapidamente? Segundo informações publicadas pela **CNN Brasil**, essa questão foi levantada em meio a longas conversas entre amigos em bares de São Paulo.

### A Formação do Grupo

Em uma pesquisa informal, seis amigos — Edgard Bueno da Costa, Ricardo Garrido, Sérgio Bueno de Camargo, Fernando Grinberg e Mario Gorski — passaram meses explorando a relação entre os clientes e os estabelecimentos. A conversa leve e o ambiente acolhedor permitiram que eles identificassem o que transformava um bar em um lugar memorável. **Hoje, a Cia. Tradicional de Comércio conta com 52 operações**, entre restaurantes e bares, atendendo mais de 4,1 milhões de clientes anualmente.

Ricardo Garrido, um dos fundadores, declara que a empresa sempre teve como objetivo mais do que abrir restaurantes. “Começamos tentando descobrir o impacto que queríamos ter na vida das pessoas”, explica. A fundação, que se deu no início da década de 1990, foi marcada por encontros após o expediente para discutir não apenas suas carreiras, mas também a dinâmica dos bares que frequentavam.

### O Estudo da Hospitalidade

Com o tempo, a conversa evoluiu, e eles começaram a observar o que levava os clientes a frequentarem certos bares regularmente. **Este estudo informal se aprofundou em locais icônicos como Léo e Frangó**, onde os amigos notaram a conexão entre garçons e clientes e como as experiências de atendimento moldavam a fidelização.

Garrido reflete: “Percebemos que os bares tradicionais realmente se preocupavam em fazer o cliente feliz.” Esse insight se tornaria a base da filosofia da empresa, que se concentra na **hospitalidade** como seu valor central.

### O Manifesto e O Primeiro Negócio

Antes de qualquer plano de negócios, os sócios escreveram um documento intitulado “Livrinho Vermelho”, que funcionava como um manifesto. Nele, discutiram a importância de construir relações humanas e a experiência do cliente. Essa visão era inovadora para a época, focando no **pertencimento** ao invés de simplesmente servir comida.

Em 1996, o grupo abriu o **Original**, buscando recuperar tradições da gastronomia brasileira em vez de seguir as tendências da época. Garrido explica que a ideia era compreender o sucesso histórico dos bares e traduzi-lo em um conceito contemporâneo.

### Novas Histórias a Cada Restaurante

O sucesso do Original levou os sócios a buscar novas histórias em vez de replicar o modelo de negócio. Cada novo restaurante, como o **Pirajá** e a **Bráz Pizzaria**, surgia da necessidade de reinterpretar a cultura brasileira. A essência de cada lugar era mais importante do que o conceito em si.

“Antes de pensar em cardápio ou arquitetura, perguntamos: existe um hábito cultural brasileiro que deve ser reinterpretado?”, destaca Garrido. Essa metodologia levou à criação de marcas que não apenas refletiam a cultura local, mas também contribuíam para o fortalecimento da gastronomia paulistana.

### A Evolução do Grupo

Ao longo dos anos, a Cia. Tradicional de Comércio se consolidou como um agente fundamental na transformação da gastronomia de São Paulo. Marcas como o **Astor**, o **Ici Brasserie** e a **Lanchonete da Cidade** foram criadas com a preocupação de **proporcionar experiências memoráveis e duradouras aos clientes**.

A filosofia de que “nunca acreditamos que nosso negócio fosse comida” permeia a cultura interna da companhia. O foco está em criar vínculos emocionais com os clientes, mesmo que isso não esteja presente nos números financeiros.

No início dos anos 2000, com o crescimento das operações — incluindo o Original, Bráz e Pirajá — não existia uma identidade unificadora para o grupo. A percepção da necessidade de um nome que representasse todos os negócios levou à criação oficial da **Cia. Tradicional de Comércio**. O nome simboliza um compromisso com a tradição e a capacidade de reinterpretá-la para os novos tempos.

**Fontes: [CNN Brasil](https://www.cnnbrasil.com.br/viagemegastronomia/gastronomia/como-cinco-amigos-criaram-um-dos-maiores-grupos-de-hospitalidade-do-brasil/)**

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