Marco Antônio Ferreira, professor da rede pública, destacou que um dos principais desafios é convencer as novas gerações sobre a relevância de seguir as normas da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), especialmente em um cenário onde a chamada “pejotização” se torna crescente. Este formato de contratação – que inclui a figura do Microempreendedor Individual (MEI) – pode levar à perda de direitos como férias pagas e 13º salário.
“Como educadores, não podemos desistir. Observamos que muitas pessoas começam a perceber a importância dessa questão, mas a luta precisa ser gradual e organizada”, afirmou Ferreira.
Atualmente, o Movimento Vida Além do Trabalho (VAT) tem ganhado força no Brasil, enquanto certos grupos empresariais permanecem contrários à proposta de redução da jornada de trabalho, que visa estabelecer uma carga de 40 horas semanais sem redução salarial. O governo federal enviou um projeto de lei ao Congresso com urgência para formalizar essa proposta em abril.
O educador ressaltou que a carga excessiva de trabalho compromete não só o descanso, mas também a participação em lutas por direitos coletivos, fundamentais para o combate às desigualdades sociais. “Militar por seus direitos é já difícil sem a escala 6×1. Para quem a cumpre, é desumano”, comentou Ferreira.
Uma pesquisa encomendada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e outras entidades revelou que 56% dos trabalhadores sem carteira assinada já tiveram experiência no regime CLT, e 59,1% afirmaram que aceitariam retornar ao mercado formal.
De acordo com a Vox Populi, que entrevistou mulheres em atividades não remuneradas e estudantes, 52,2% expressaram interesse em retornar ao trabalho formal, com 57,1% preferindo a carteira assinada.
Outro relevante achado foi a confusão entre ser empreendedor e trabalhador autônomo. Muitas pessoas que se declararam empreendedoras, na verdade, eram profissionais contratados como Pessoas Jurídicas (PJs) e, portanto, expostas à precarização das condições de trabalho.
O aumento dos feminicídios e atos de violência de gênero no Brasil também foi uma pauta central na manifestação. A pedagoga Silvana Santana mencionou que a misoginia em acentuação pode ser analisada à luz de teorias críticas que abordam o colonialismo e suas consequências duradouras no Brasil.
Santana reconheceu as iniciativas governamentais voltadas para a proteção das mulheres, mas considerou-as insuficientes e tardias, principalmente ao se tratar de cidadãos negros como sujeitos de direitos. “É urgente pensarmos em um projeto mais audacioso que busque realmente emancipar a população afrodescendente do país”, afirmou.
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