Publicado em: 23 de maio de 2026
Audiência Pública em São Paulo discutirá o impacto do fim da escala 6×1 nos transportes coletivos e suas implicações para trabalhadores e usuários.
Uma audiência pública está marcada para o dia 11 de junho de 2026, na Câmara Municipal de São Paulo, a fim de debater a proposta de extinção da escala 6×1 nos transportes coletivos da capital. A sessão, sob a égide da Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica, está prevista para começar às 16h. Segundo informações publicadas pelo Diário do Transporte, a realização do evento poderá sofrer alterações de data.
A iniciativa foi proposta pela vereadora Luana Alves, do PSOL, e busca avaliar os impactos da mudança na rotina de trabalhadores, além das consequências para os usuários e o planejamento das linhas na cidade.
A proposta de pôr fim à escala 6×1 está alinhada com as intenções do presidente Luís Inácio Lula da Silva, que pretende usar a pauta em sua campanha de reeleição. A medida visa a redução da jornada de trabalho sem redução de salários. No entanto, as empresas de ônibus têm expressado preocupações sobre a alteração, apontando que a mudança pode levar a um aumento nos custos operacionais, além de complicar a organização da frota e a contratação de motoristas, uma categoria já escassa.
Liana Variani, especialista em risco empresarial, alertou para o fato de que a nova jornada de trabalho terá diferentes impactos em setores variados, especialmente no transporte, que não pode interromper suas operações. Ela enfatiza a necessidade de um diálogo entre trabalhadores e empresas, ressaltando a importância de encontrar uma solução equilibrada.
Variani expressou que é fundamental que todas as partes apresentem suas necessidades, uma vez que a posição dos trabalhadores e dos empresários é, atualmente, divergente. A especialista argumentou que cada setor deve ser tratado de acordo com suas especificidades, evitando generalizações que não atendem à realidade do mercado de trabalho.
A expectativa é que o relatório preliminar da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) seja revelado no dia 25 de maio de 2026, com um dos principais desafios sendo a definição de regras de transição que respeitem as diferenças entre setores.
Luana Alves, autora do requerimento, destacou que os trabalhadores do setor de transportes desempenham um papel estratégico na cidade e precisam de condições dignas de trabalho. Segundo ela, a atual escala 6×1 gera preocupações sobre a sobrecarga de trabalho e o impacto na saúde mental dos operadores.
De acordo com dados da NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos), o fim da escala 6×1 poderá implicar em um aumento de 33% nos custos de mão de obra para as empresas, exigindo a contratação de mais trabalhadores e a expansão das frotas, o que poderá resultar no aumento das tarifas.
A CNT (Confederação Nacional do Transporte) também projetou que a implementação da nova jornada exigirá a contratação de pelo menos 250 mil novos trabalhadores, complicando ainda mais a escassez de motoristas.
O presidente da CNT, Vander Costa, alertou em uma audiência na Câmara dos Deputados sobre os riscos de falta de ônibus disponíveis para a população se a redução de jornada não for bem estruturada. Ele sugeriu uma transição gradual, de uma hora a menos por ano, durante quatro anos.
Centrais sindicais de trabalhadores do setor de transportes apoiam a redução da jornada, afirmando que a medida pode, ao contrário do que alegam os empresários, não elevar a crise de falta de mão de obra. Paulo João Estausia, presidente da CNTTL, acredita que a extinção da escala 6×1 pode gerar oportunidades de emprego e melhorar as condições de trabalho.
Para Estausia, a redução da carga horária sem diminuição salarial tornaria a profissão mais atrativa, ajudando a resolver o problema da escassez de profissionais no setor.
Por Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
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