Candidato a deputado estadual em São Paulo pelo PSD, Caio Fiori enfrenta polêmicas envolvendo um vídeo em que seu avô, o influenciador Vovô Anésio, aparenta apoiar sua candidatura. Publicado em 23 de agosto, o vídeo tem gerado acusações de que ele utilizou inteligência artificial para criar o conteúdo com a imagem do avô, que faleceu em junho aos 88 anos. A situação se intensificou nas redes sociais, onde muitos seguidores criticaram a iniciativa, questionando a ética de usar a imagem de uma pessoa falecida para fins de promoção política.
No vídeo, Vovô Anésio é apresentado em diálogo com Caio, dizendo: “O vovô do Brasil veio dar essa grande notícia. Que meu neto, Caio Fiori, é pré-candidato a deputado estadual do estado de São Paulo.” Caio, em resposta, faz uma pergunta retórica sobre a eficácia da candidatura, à qual “Vô” Anésio responde positivamente: “É uma boa. Nós temos muitos conhecidos no Brasil e no estado de São Paulo inteirinho.” Caio justificou a criação do vídeo como uma resposta às críticas de que estaria explorando a imagem de seu avô.
A reação nas redes sociais incluiu mais de mil comentários predominantemente críticos. Muitos internautas acusaram Caio de utilizar tecnologia avançada, como inteligência artificial, para recriar a imagem do avô de forma não ética. Comentários como “Nem pode descansar, o vovô” e “Ressuscitou o Vovô? Triste isso” evidenciam a indignação de parte do público. Caio, por sua vez, negou as alegações de que o vídeo foi manipulado digitalmente.
A situação ocorre em um contexto em que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) está atenta ao uso de tecnologias como a inteligência artificial em campanhas eleitorais. Na semana passada, o TSE aprovou uma tese que define parâmetros para caracterizar deepfakes durante o período eleitoral. O entendimento, aprovado por maioria, será utilizado para conduzir a análise de conteúdos manipulados por tecnologias avançadas em campanhas futuras.
A definição de deepfake segundo a nova norma envolve critérios como a produção ou manipulação sintética de conteúdo por inteligência artificial, além da necessidade de que esse conteúdo tenha realismo ou verossimilhança e que busque criar, reproduzir ou alterar a imagem, voz ou manifestações de pessoas, sejam elas vivas, falecidas ou fictícias.
Vovô Anésio, conhecido como Anésio Fiori, teve suas histórias e rotinas compartilhadas nas redes sociais por Caio, acumulando mais de 6 milhões de seguidores antes de falecer. Seu carisma e as interações com a família o tornaram um fenômeno nas mídias digitais. O ex-pedreiro aposentado faleceu em 13 de junho de 2023, após sofrer uma parada cardiorrespiratória.
A repercussão em torno do vídeo de Caio Fiori levanta importantes questões sobre a ética no uso da imagem de pessoas falecidas em campanhas eleitorais e o papel da tecnologia neste processo, refletindo as preocupações atuais sobre a integridade das eleições que se aproximam em 2026. A situação destaca ainda a necessidade de regulamentação mais clara sobre o uso de tecnologia na política, tendo em vista as implicações que isso pode ter para a democracia e a confiança dos eleitores.
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