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Brasil sente frustração após “O agente secreto” perder para Noruega no Oscar 2026

Na recente edição do Oscar 2026, o Brasil voltou para casa sem nenhuma estatueta, apesar de ter cinco indicações — quatro em “O Agente Secreto” e uma em “Sonhos de Trem” para o fotógrafo Adolpho Veloso. A expectativa de um bicampeonato, um ano após a vitória de “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, virou frustração.

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  • Oscar 2026: Premiação consagra “Uma Batalha Após a Outra”; ‘Valor Sentimental’ supera ‘O Agente Secreto’

Embora seja comum ouvir que o importante é competir, a frustração é palpável. Os prêmios são uma forma de reconhecimento e, neste caso, a decepção foi evidente, especialmente na disputa por Melhor Filme Internacional.

Após conquistar prêmios em festivais como o Globo de Ouro e o Critics Choice, “O Agente Secreto” era considerado um forte candidato. No entanto, a principal concorrência veio do filme norueguês “Valor Sentimental”, que já havia sido premiado com o BAFTA e era o longa internacional mais indicado no Oscar, com um total de nove indicações.

Ao final, a vitória foi da Noruega, com um filme que, apesar de suas partes em inglês, foi impulsionado por um elenco conhecido na indústria americana.

A trajetória de “O Agente Secreto” merece ser destacada. O filme teve um desempenho muito mais admirável do que “Ainda Estou Aqui”. Sua jornada começou em maio do ano passado, no Festival de Cannes, onde conquistou dois prêmios: melhor direção e melhor ator, para Wagner Moura. Ali, já começou a disputa com “Valor Sentimental” e “Foi Apenas um Acidente”, que levou a Palma de Ouro. O filme brasileiro também foi eleito o melhor do júri da crítica internacional (Fipresci).

A partir de setembro, “O Agente Secreto” participou de uma intensa maratona de festivais, incluindo Toronto e Nova York. No Globo de Ouro, o filme confirmou sua força ao vencer nas categorias de Melhor Filme Internacional e Melhor Ator em Filme de Drama, e, com isso, igualou o recorde de indicações ao Oscar estabelecido por “Cidade de Deus”, em 2004.

A derrota de “O Agente Secreto” é uma lembrança de que conquistar um Oscar não é tarefa fácil, e que chegar a essa etapa já é uma conquista. É importante recordar que, antes da vitória de “Ainda Estou Aqui”, o Brasil havia ficado 26 anos sem indicações ao Oscar, com a última sendo “Central do Brasil”, em 1999.

Apesar de uma campanha de grande escala e o apoio de uma distribuidora respeitável, “O Agente Secreto” não conseguiu levar uma estatueta. No entanto, o filme foi amplamente celebrado durante a cerimônia no Dolby Theater.

Além disso, a história de “O Agente Secreto” destaca a necessidade de investimento na cultura e a importância da unidade entre as instituições brasileiras do audiovisual. Conflitos sobre as indicações para prêmios como o Goya poderiam prejudicar a visibilidade do cinema nacional junto aos votantes.

Embora essa frustração tenha sido um tema de discussão, o sentimento predominante após dois anos com “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto” é de orgulho pelo cinema brasileiro. Para uma indústria frequentemente subestimada, isso é uma razão para comemorar.