© Valter Campanato/Agência Brasil
Dados preliminares do Banco Central indicam que, em 2025, o Brasil enfrentou uma saída líquida de dólares de US$ 33,316 bilhões, a segunda maior desde 1982. O resultado é inferior apenas ao de 2019, quando a fuga totalizou US$ 44,768 bilhões. A quantidade negativa de fluxo cambial foi substancialmente influenciada pelo canal financeiro, que registrou saída líquida de US$ 82,467 bilhões, apenas atrás do ano anterior. Por outro lado, o canal comercial apresentou uma entrada líquida de US$ 49,151 bilhões, insuficiente para contrabalançar a evasão financeira.
Apesar da saída significativa de dólares, a moeda nacional se apreciou ao longo do ano, impulsionada pelos juros elevados no Brasil e pela desvalorização do dólar globalmente. O Banco Central limitou sua atuação no mercado à vista, realizando apenas duas intervenções, cada uma no valor de US$ 1 bilhão, através do mecanismo conhecido como “casadão”, que combina a venda de dólares das reservas e operações de swaps cambiais.
O Banco Central apontou que o aumento das importações foi um fator crucial para a redução da entrada de dólares. O volume de câmbio contratado para compras externas alcançou US$ 238 bilhões, o segundo maior da série histórica, enquanto as exportações somaram US$ 287,5 bilhões. Esta disparidade entre importações e exportações também impactou negativamente a balança comercial.
Em dezembro, o fluxo cambial foi negativo em US$ 13,562 bilhões, um valor menor do que o registrado em dezembro de 2024, quando a saída foi de US$ 27 bilhões. O resultado foi influenciado por uma saída de US$ 20,982 bilhões na conta financeira, contrabalançada por uma entrada de US$ 7,421 bilhões na conta comercial. Dezembro tradicionalmente concentra pagamentos de dividendos ao exterior, que em 2025 foram antecipados devido ao fim da isenção do imposto de renda sobre remessas internacionais, a partir de janeiro de 2026.
O fluxo cambial serve como uma prévia dos dados do balanço de pagamentos, que mensura as relações financeiras entre residentes e não residentes no Brasil. Ele engloba tanto o fluxo comercial, que refere-se ao fechamento de câmbio para exportações e importações, quanto o fluxo financeiro, que considera investimentos e transações financeiras. Em 2025, a principal fuga de dólares ocorreu via canal financeiro.
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