A lista também inclui países como Argentina, Chile, Colômbia, México e Uruguai. Segundo informações publicadas pela Carta Capital, a União Europeia justificou a decisão ao afirmar que o Brasil não apresentou garantias sobre a não utilização de produtos antimicrobianos na criação de animais.
Autoridades europeias, no entanto, indicaram que a lista poderá ser revisada se o governo brasileiro atender às solicitações pendentes. A medida ocorre em um momento de crescente pressão de agricultores da Europa, especialmente da França, após o início do acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul.
“Nossos agricultores seguem alguns dos padrões de saúde e antimicrobianos mais rigorosos do mundo. Portanto, é legítimo que os produtos importados estejam sujeitos aos mesmos requisitos. A decisão tomada hoje demonstra que o sistema europeu de controle funciona”, afirmou o comissário europeu para a Agricultura, Christophe Hansen.
As normas da União Europeia proíbem o uso de antimicrobianos em animais para promover crescimento ou aumentar produção. Além disso, animais não podem ser tratados com antimicrobianos reservados para infecções humanas.
Em resposta, os ministérios da Agricultura, das Relações Exteriores e da Indústria do Brasil expressaram surpresa com a exclusão. Em nota, o governo informou que o chefe da delegação brasileira junto à UE se reunirá com autoridades sanitárias do bloco para buscar esclarecimentos sobre a decisão.
O governo brasileiro destacou que as exportações de produtos de origem animal continuam normalmente e que tomará medidas para reverter a exclusão, assegurando o fluxo de vendas para o mercado europeu, onde o Brasil tem atuado há 40 anos.
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) reiterou que o Brasil cumpre todos os requisitos da União Europeia, especialmente as regras referentes a antimicrobianos, e mantém um compromisso firme com a produção sustentável e as melhores práticas internacionais.
O comunicado da ABPA enfatizou que o Brasil possui estruturas sanitárias robustas, rígidos protocolos de rastreabilidade e monitoramento veterinário, alinhadas a referências internacionais de saúde animal.
Atualmente, o Brasil ainda mantém comércio aberto com a União Europeia para carnes bovina e de frango, além de peixes, embutidos, cavalos vivos e mel. No entanto, as novas restrições para produtos de carne bovina entram em vigor em setembro.
A União Europeia representa um parceiro comercial fundamental para o Brasil. Em 2025, as exportações brasileiras de carnes (bovinas e brancas) para os 27 países da UE totalizaram 1,8 bilhão de dólares, tornando o bloco o segundo maior destino para os produtos, atrás apenas da China, que importou 9,8 bilhões de dólares em carnes.
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