Após a divulgação de um vídeo por Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama, a situação para jornalistas que cobriam a internação do ex-presidente Jair Bolsonaro no hospital DF Star, em Brasília, se tornou tensa. Segundo informações publicadas pelo Poder360, a apoiadora gravou um vídeo no dia 13 de março, onde afirma que os repórteres presentes desejavam a morte de Bolsonaro.
No conteúdo, que rapidamente se tornou viral, não é possível ouvir os jornalistas fazendo qualquer comentário. Em resposta, dois dos profissionais afetados registraram boletins de ocorrência após enfrentarem intimidações. Um deles, inclusive, relatou ameaças direcionadas ao filho. Outro repórter decidiu encerrar suas contas nas redes sociais, enquanto um terceiro estava avaliando outras medidas legais junto à sua defesa.
Nos stories de seu perfil oficial, Michelle Bolsonaro compartilhou o vídeo com a legenda: “Jornalistas reunidos desejando a morte de Bolsonaro e comemorando por ser sexta-feira 13”. Durante a gravação, a influenciadora grita para os repórteres, citando que eles estariam “passando vergonha”.
Após a viralização do vídeo, jornalistas identificados nas imagens foram alvo de agressões, incluindo ataques nas redes sociais e ameaças físicas. Diversas montagens e vídeos manipulados surgiram, incluindo simulações de violência extrema contra os repórteres, utilizando inteligência artificial. Publicações nesse sentido, associadas a figuras políticas, agravaram o clima de hostilidade.
No domingo, 15 de março, Cris Mourão, a apoiadora que gravou o vídeo, fez uma nova postagem no Instagram, afirmando que não tinha a intenção de prejudicar ninguém, mas sim de defender aqueles que lutam pela nação.
O caso gerou repúdio em diferentes esferas do jornalismo. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) emitiram notas criticando a atitude de Michelle e denunciando as ameaças aos jornalistas como “inadmissíveis”. A Abraji, em específico, condenou a divulgação irresponsável do vídeo, afirmando que isso resultou em um clima de intimidação contra profissionais que apenas exerciam suas funções.
Além disso, a Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) corroboraram, enfatizando a importância da proteção dos jornalistas no exercício de suas atividades e cobrando respostas eficazes das autoridades.
O evento relembra um período de crescente violência contra a imprensa sob a administração anterior, onde diversas situações de hostilidade e difamação foram documentadas. A liberdade de imprensa é fundamental para a democracia e deve ser defendida contra qualquer forma de coação ou agressão.
O incidente gera preocupação sobre a segurança de jornalistas em situações de reportagem e a influência que figuras públicas têm sobre a percepção da população. É crucial que medidas sejam implementadas para garantir a proteção e o respeito ao trabalho dos profissionais de imprensa.
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