Categories: Economia

Apenas um em cada quatro profissionais autônomos possui CNPJ registrado.

De cada quatro trabalhadores por conta própria no país, apenas um tinha registro no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) em 2024, ou seja, formalização da atividade. Eram 6,6 milhões de pessoas em um universo de 25,5 milhões de trabalhadores por conta própria.

Apesar da baixa cobertura, o dado mostra avanço em 12 anos. Em 2012, os conta própria com CNPJ eram 15% do total. Em 2019, um quinto (20,2%) e no último levantamento, divulgado nesta quarta-feira (19), um quarto (25,7%).

A constatação está em edição especial da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A pesquisa traz dados anuais desde 2012, exceto de 2020 e 2021, por causa da pandemia de covid-19, que inviabilizou a coleta de dados.

Os 25,5 milhões de conta própria no país em 2024 representavam 25,2% dos 101,3 milhões de trabalhadores no Brasil em 2024. Em 2012 eles eram 22,4%.

>> Leia as demais reportagens da Agência Brasil sobre esta edição da Pnad Contínua 

O registro no CNPJ pode representar vantagens ao trabalhador como emitir notas fiscais, acessar crédito e serviços bancários empresariais, contratar funcionários formais, além de benefícios previdenciários.

Ramos de negócio

O IBGE classifica os trabalhadores por conta própria em cinco grupamentos de atividade. Entre os segmentos, é possível perceber desigualdades. O comércio é o grupo com maior parcela de registrados.

Proporção de conta própria com registro no CNPJ por ramo de atividade:

  • Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas: 33,2%
  • Serviços: 31,5%
  • Indústria geral: 23,4%
  • Construção: 15,2%
  • Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura: 7,2%

O analista da pesquisa William Kratochwill acredita que o baixo percentual de conta própria com CNPJ tem a ver com o tamanho do negócio.

“Como o empreendimento que eles têm ainda é pequeno, não veem essa necessidade, ainda não foram demandados a ter uma formalização da sua atividade”, avalia.

Em alguns casos, acrescenta, a pessoa considera que não vale a pena: “A formalização pode acabar incorrendo em tributos e coisas com as quais ela não está preparada”.

Escolaridade

Os dados mostram que quanto maior a escolaridade, maior adesão dos conta própria ao registro no CNPJ:

  • Sem instrução e fundamental incompleto: 11,2%
  • Fundamental completo e médio incompleto: 17,6%
  • Médio completo e superior incompleto: 27,9%
  • Superior completo: 48,4%

“A baixa escolaridade, às vezes, limita a pessoa em relação ao conhecimento de como fazer [para se formalizar]”, diz o pesquisador do IBGE.

A pesquisa mostra ainda que, enquanto na população ocupada como um todo o nível de sindicalização é de 8,9%, entre os conta própria fica em 5,1%.

Agência Brasil

Recent Posts

Análise do cenário eleitoral de Rondônia acontece nos dias 28 e 29 de setembro

A análise do cenário eleitoral de Rondônia será tema central em um podcast que acontece…

21 minutos ago

Lotofácil 3789: aposta de São Bernardo do Campo ganha prêmio de R$ 8 milhões

O sorteio do concurso 3789 da Lotofácil ocorreu na noite de sexta-feira, 25 de setembro,…

37 minutos ago

Candidatos à presidência movimentam agenda com atos e propostas em todo o Brasil

A agenda dos candidatos à Presidência da República no Brasil nesta sexta-feira (25) incluiu uma…

38 minutos ago

Flávio Bolsonaro lidera intenções de voto em SP contra Lula, aponta pesquisa Datafolha

Uma pesquisa realizada pelo Datafolha indica que o senador Flávio Bolsonaro (PL) ocupa a liderança…

46 minutos ago

Flávio e Tarcísio levantam a plateia em evento que promete reinvenção política no Brasil

Segundo informações publicadas pelo UOL, o evento recente em Jaguariúna contou com a presença do…

55 minutos ago

Governo Lula proíbe apostas on-line e arrecada R$ 2,5 bilhões desde regulamentação

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva baniu as apostas online no Brasil,…

3 horas ago