A Air Tanzania anunciou a suspensão temporária de seus voos de Dar es Salaam, capital da Tanzânia, para Moscou, a partir desta sexta-feira (4). A decisão marca a primeira medida desse tipo adotada por uma companhia aérea desde que o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, declarou que o espaço aéreo sobre a Rússia não é seguro.
A informação foi divulgada pela Air Tanzania em uma postagem no Facebook, onde a empresa explicou que a suspensão é o resultado de “uma avaliação de risco de rotina do ambiente operacional ao longo da rota”.
Recentemente, a Ucrânia pediu à Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU), que recomendasse a proibição total das operações no espaço aéreo russo. O pedido surgiu um dia após a advertência de Zelensky sobre a crescente insegurança na região.
Na terça-feira (1°), autoridades ucranianas enfatizaram que o país intensificaria suas retaliações contra frequentes ataques russos a Kiev, que tem enfrentado alertas aéreos contínuos e danos à infraestrutura civil há mais de uma semana.
Zelensky declarou que a Ucrânia estaria apenas visando instalações militares russas, assegurando que não representa uma ameaça para aeronaves civis. No entanto, ele destacou que o aumento de drones ucranianos operando no espaço aéreo russo deve ser considerado.
Em uma carta endereçada ao presidente da OACI, Juan Carlos Salazar, o ministro da Infraestrutura da Ucrânia, Mykola Kalashnyk, reforçou a necessidade de minimizar os riscos de tragédias no espaço aéreo.
A Ucrânia solicitou à OACI que incentive todos os estados-membros e companhias aéreas a proteger a aviação civil, incluindo a recomendação de uma proibição total de operações aéreas civis no espaço aéreo da Rússia.
Embora as companhias aéreas de países europeus e americanos já não operem sobre a Rússia em decorrência da guerra iniciada pela invasão da Ucrânia em 2022, empresas de países como China, Turquia e Emirados Árabes Unidos ainda utilizam o espaço aéreo russo.
A OACI, embora não tenha poder para impor regras aos seus 193 países membros, influencia fortemente as políticas de aviação. Recentemente, a agência alertou que o risco de ataques aéreos contra aviões comerciais está crescendo e pediu compromissos mais firmes para proteger as aeronaves das ameaças em zonas de conflito.
De acordo com a OACI, “os riscos crescentes de aeronaves civis serem alvejadas ou atingidas por fogo cruzado” são reais, e embora a indústria da aviação tenha capacidade de redirecionar voos, essa não é uma solução completa para garantir a segurança das operações.
A empresa Osprey Flight Solutions, especializada em consultoria de riscos de aviação, afirmou que os ataques de drones e mísseis da Ucrânia demonstraram seu alcance no território russo, resultando no fechamento de aeroportos e cancelamento de voos.
Após as declarações de Zelensky, o presidente russo, Vladimir Putin, chamou os comentários de “terrorismo de Estado” e garantiu que irá impedir qualquer perturbação na aviação civil.
Historicamente, a Ucrânia fechou seu espaço aéreo ao tráfego civil no início da invasão russa em fevereiro de 2022, o que levou ao fechamento permanente de seus aeroportos. A única companhia ucraniana ainda operante, a SkyUp, agora realiza seus voos a partir da Moldávia.
A situação atual reforça a complexidade da segurança aérea na região e destaca as preocupações crescentes sobre o impacto do conflito em viagens internacionais.
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