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Jeddah Tower redefine arquitetura ao ultrapassar limites da construção sustentável

A Jeddah Tower, o arranha-céu mais alto do mundo, possui uma característica marcante que permanece pouco visível: cerca de um terço de sua altura ultrapassa a camada atmosférica onde ocorrem a maior parte dos fenômenos meteorológicos. Segundo informações publicadas pelo Newsweek, o engenheiro John Peronto, da Thornton Tomasetti e gerente do projeto, destacou que esse aspecto único não é amplamente discutido quando se fala em edifícios altos, pois poucos alcançaram tais níveis de altura.

Com mais de 1.000 metros de altura (aproximadamente 3.281 pés), a Jeddah Tower superará o Burj Khalifa, atualmente o edifício mais alto do mundo, de 828 metros. O design da torre é assinado pelos arquitetos Adrian Smith e Gordon Gill, da Adrian Smith + Gordon Gill Architecture (AS+GG), que também foi responsável pelo Burj Khalifa. Essa ambição arquitetônica levanta questionamentos sobre o impacto ambiental de construções tão grandes.

Impacto Ambiental e Sustentabilidade

Segundo o World Green Building Council, os edifícios são responsáveis por 39% das emissões globais de carbono relacionadas à energia — com 28% provenientes de energia operacional e 11% de materiais e construção. Uma parcela significativa dessas emissões origina-se do carbono embutido, que é gerado ao longo do ciclo de vida dos produtos de construção, desde a extração e fabricação até a construção e descarte.

Gill, em conversa com o Newsweek, frisou que os arranha-céus superaltos precisam lidar com essa realidade, alertando que o verdadeiro desafio reside na renovação de edifícios existentes para torná-los mais sustentáveis.

Construindo Acima da Camada Atmosférica

A Jeddah Tower se destaca em engenharia, pela interação que possui com a atmosfera. A camada atmosférica — que se estende tipicamente de um a três quilômetros acima da superfície — é a região onde as forças geradas pela superfície, como fricção e turbulência, têm maior impacto. Peronto explicou que muitos dos efeitos do vento extremo ocorrem nesta camada inferior. Contudo, em altitudes maiores, as condições mudam.

Embora as velocidades do vento possam ser mais frequentes em grandes altitudes, as cargas máximas tendem a ser menores, favorecendo a estrutura da torre. Essa particularidade desafia a lógica, mostrando que, devido à sua altura, certas partes da torre podem enfrentar pressões de vento menores do que aquelas sentidas em níveis mais baixos.

A Estrutura Tri-Pedestal da Jeddah Tower

O design da Jeddah Tower é baseado em um sistema estrutural de três pernas, escolhido por sua eficiência e estabilidade. Essa configuração é fundamentada na ideia de que três pontos são o mínimo necessário para garantir equilíbrio. Peronto afirmou que essa estrutura tri-pedestal maximiza a eficiência do espaço, sendo mais eficaz do que um arranjo de quatro pernas.

Com isso, espera-se que a Jeddah Tower seja “provavelmente o edifício alto mais confortável do planeta”, destacou Peronto, enfatizando que a massa da torre exige uma grande quantidade de energia do vento para causar movimento.

Equilibrando Gravidade e Design

Apesar do foco no vento, o design da torre é, em grande parte, governado pela gravidade. Peronto explicou que o maior desafio estrutural é resistir às enormes cargas gravitacionais. Para otimizar isso, a base da torre se alarga, distribuindo melhor as cargas sem a necessidade de paredes excessivamente espessas. Essa abordagem reflete como a Jeddah Tower está redefinindo os limites da altura em arquitetura.

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