
Possíveis Demissões na Riachuelo se Taxa de Importação Não Retornar
Segundo informações publicadas pelo NeoFeed, André Farber, CEO da Riachuelo, declarou que a empresa poderá ter que demitir funcionários caso o governo não reinstitua a famosa “taxa das blusinhas”. Essa taxa, que aplicava uma alíquota de 20% sobre importações de até US$ 50, foi revogada em 12 de maio de 2026, através de uma medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Farber critica a decisão, afirmando que a mudança foi feita sem diálogo com o setor varejista.
Impacto da Revogação da Taxa
Radical na sua avaliação, Farber afirma: “Se esta decisão permanecer, seremos forçados a iniciar demissões. Não há milagre.” A Riachuelo, que conta com 450 lojas e cerca de 33 mil funcionários, alertou que a revogação da taxa acentuou a assimetria tributária entre as empresas nacionais e as plataformas de e-commerce estrangeiras, o que impacta diretamente sua competitividade.
A companhia já registrou um aumento na sua receita líquida no primeiro trimestre de 2026, alcançando R$ 2,3 bilhões, um crescimento de 6,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. No entanto, com a nova normativa, analistas do BTG Pactual preveem um agravamento nas diferenças de preços entre a Riachuelo e as varejistas estrangeiras.
Concorrência e Alternativas no E-commerce
Farber apontou que a Riachuelo pode adotar estratégias como o comércio eletrônico “cross-border”, semelhante ao modelo utilizado por plataformas como Shein e AliExpress. Ele explicou: “Nada nos impede de fazer cross-border. Podemos criar uma empresa na Ásia e trazer produtos com custos de importação significativamente menores”. Porém, essa mudança implicaria em desmobilizar operações no Brasil e, inevitavelmente, resultar em mais demissões.
Pedido de Diálogo com o Governo
O CEO enfatizou a necessidade de um diálogo mais próximo entre o governo e as empresas do varejo, uma vez que a revogação da taxa foi decidida sem consulta. “Não fomos ouvidos, nem a Associação Brasileira de Varejo Têxtil ou outras grandes empresas conforme nosso conhecimento”, declarou Farber.
Na visão dele, o governo deveria considerar uma redução da carga tributária para as empresas brasileiras, afirmando que “se a intenção é democratizar o consumo, os impostos sobre os empregos precisam ser diminuídos”. Para Farber, a continuidade dessa situação só ajudará a beneficiar as indústrias que operam fora do Brasil, prejudicando a economia nacional.
Com a Riachuelo enfrentando a perspectiva de demissões e cortes em meio a esse cenário, o CEO reafirma a disposição da empresa em dialogar com o governo em busca de uma solução que beneficie o varejo nacional e evite maiores danos ao mercado de trabalho.
Impacto nas Operações e Economia Nacional
A revogação da taxa das blusinhas foi uma decisão controversa que já provocou quedas nas ações da Riachuelo na B3, atingindo um recuo de 11% desde o anúncio. O valor de mercado da empresa atualmente gira em torno de R$ 4,2 bilhões. Farber finaliza enfatizando que “estamos indignados com essa decisão”, destacando a importância de uma política pública que priorize o fortalecimento do varejo brasileiro.



