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Copom corta Selic e acende alerta sobre inflação crescente e incertezas globais

Segundo informações publicadas pela Forbes, o Comitê de Política Monetária (Copom) deverá reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual na próxima reunião, passando de 14,75% para 14,50%. Essa possibilidade é amplamente aceita no mercado, apesar de um contexto econômico mais pressionado do que o observado nas últimas semanas.

Desde a última decisão em março, o cenário de inflação no Brasil se deteriorou. Em março, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial, avançou 0,88%, totalizando 4,14% em 12 meses. A mediana das projeções de mercado, conforme revelado no Boletim Focus, já aponta para uma alta de 4,80% em 2026, excedendo o teto da meta de 4,5%. Esse aumento é impulsionado por fatores como o impacto dos preços do petróleo e a piora nas expectativas econômicas, onde uma alta de 10% no petróleo poderia adicionar entre 0,2 a 0,4 ponto percentual ao IPCA.

Para Rafael Pastorello, gestor de portfólio do Sofisa, a recente mudança no ambiente econômico foi rápida e significativa. “As expectativas de inflação estão acima do teto da meta e vêm se elevando nas últimas semanas”, destacou. Leonardo Porto, economista-chefe do Citi Brasil, também aponta para o aumento das expectativas de inflação, que se distanciam da meta de 3%. No BTG Pactual, a projeção para o IPCA em 2026 foi revisada para 4,7%, refletindo pressões de combustíveis e a robustez dos serviços.

Marco Antonio Caruso, economista do Santander, observa que o principal vetor de risco se alterou. “Atualmente, não é mais o choque de commodities, mas as expectativas desancoradas”, afirmou. O Sofisa considera que o cenário é estruturalmente mais pressionado. Essa visão foi reforçada pela recente escalada do conflito no Oriente Médio, que pode ter efeitos duradouros nos preços. Pastorello acrescenta que, mesmo que o conflito termine, os preços do petróleo permanecerão elevados, pois o mercado já embute riscos, encarecendo toda a cadeia produtiva.

Por que o Copom deve manter a possibilidade de corte na Selic?

Ainda que o panorama atual seja desafiador, as instituições financeiras acreditam que é viável um novo corte de juros. A análise prevalente é que a maior parte do choque inflacionário é externa e temporário, permitindo ao Banco Central seguir com o ajuste monetário. Porto, do Citi, sustenta que esse corte de 0,25 ponto percentual reflete a estratégia do Copom de promover a convergência da inflação às metas estabelecidas.

O Santander ressalta uma leve melhora nas condições externas, com a valorização do real e uma estabilização nos preços do petróleo, mas Caruso indica que isso ainda não justifica uma aceleração na política monetária.

Possibilidade de pausa na política monetária

Embora haja um consenso em torno do corte, algumas vozes do mercado indicam um cenário mais incerto. Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, acredita que a decisão do Copom pode ser influenciada por fatores externos que afetam a inflação. “As expectativas estão levemente inclinadas para um corte de 0,25 ponto, mas a hipótese de manutenção ganhou força”, comentou.

Para Zogbi, a comunicação do Banco Central será crucial, já que um indicativo de pausa na continuidade do ciclo de cortes poderia gerar reações negativas no mercado.

Expectativas para a Selic e ciclo de juros

Embora o corte de curto prazo pareça certo, as previsões para o ciclo de juros a longo prazo foram ajustadas. A projeção do Sofisa para a Selic em 2026 foi elevada para a faixa entre 13% e 13,25%, ultrapassando as estimativas anteriores de cerca de 12%. O BTG também reajustou sua estimativa para 13%.

Comunicação do Copom: cautela no horizonte

Frente a esta nova realidade, o Copom deve adotar um tom mais cauteloso em suas comunicações. O Citi antecipa que o discurso será prudente, considerando as incertezas globais. Caruso, do Santander, espera mudanças marginais na estratégia, indicando que o Banco Central deve evitar declarações definitivas sobre as próximas ações.

Combinando inflação elevada, atividade econômica resiliente e um cenário global incerto, a previsão é de que o corte na Selic ocorra, mas com um horizonte mais curto e menos previsível para a continuidade deste ciclo de juros.

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